Teste já está disponível em hospital de Porto Alegre, custa cerca de R$ 3 mil e pode reduzir a necessidade de exames mais invasivos
O Brasil passou a contar, desde quinta-feira (15), com o primeiro exame de sangue para identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O teste começou a ser oferecido no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), e representa um avanço na investigação da doença.
O exame mede os níveis da proteína p-tau217, um biomarcador presente no sangue que está associado ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características biológicas do Alzheimer.
A tecnologia pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos, como a punção lombar, utilizada para analisar o líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, além de exames de imagem especializados.
O teste custa aproximadamente R$ 3 mil na rede privada e é indicado exclusivamente para pacientes que já apresentam sintomas cognitivos e suspeita clínica de Alzheimer. Ele não é recomendado como exame de rotina para pessoas sem sintomas.
Apesar do avanço, especialistas ressaltam que um resultado positivo não confirma, isoladamente, o diagnóstico de demência causada pelo Alzheimer. A interpretação deve ser feita por um médico, considerando os sintomas, a avaliação clínica e, quando necessário, outros exames.
O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo. Segundo Eduardo Zimmer, responsável pela implementação do exame no Hospital Moinhos de Vento, entre 15% e 20% dos pacientes podem apresentar resultados intermediários, exigindo investigação complementar.
Estudo aponta precisão superior a 90%
A tecnologia utilizada, chamada Lumipulse, da fabricante Fujirebio, foi avaliada em um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com a participação de 1.767 pacientes da Suécia, Espanha e Itália.
Na pesquisa, os resultados do exame de sangue apresentaram concordância de até 94% com os obtidos por meio da análise do líquor, dependendo dos critérios adotados.
Embora seja o primeiro teste sanguíneo de p-tau217 com registro na Anvisa, outras iniciativas já oferecem análises desse biomarcador no Brasil. Uma delas é realizada pelo laboratório Richet, em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), ao custo aproximado de R$ 1,8 mil, enquanto tramita seu processo de aprovação formal para comercialização.
Disponibilidade no SUS
Por enquanto, não há previsão para que o novo exame seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia ainda não foi submetida à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), etapa necessária para uma eventual inclusão na rede pública.