Aos 97 anos, completados nesta sexta-feira (16), Fernanda Montenegro tem uma trajetória marcada por grandes personagens e reconhecimento internacional. Um dos capítulos mais importantes de sua carreira aconteceu em 1999, quando se tornou a primeira brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz, por sua atuação no filme Central do Brasil.
Lançado em 1998, o longa dirigido por Walter Salles acompanha Dora, personagem interpretada por Fernanda, uma ex-professora que escreve cartas para pessoas que não sabem ler e escrever na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua vida muda quando conhece Josué, um menino que perde a mãe e precisa encontrar o pai. Juntos, eles partem em uma viagem pelo interior do país.
A interpretação rendeu à atriz reconhecimento antes mesmo da cerimônia da Academia. Em 1998, Fernanda conquistou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim pelo papel de Dora, consolidando a repercussão internacional do filme.
Na disputa pelo Oscar, em março de 1999, a brasileira concorreu com Cate Blanchett, Emily Watson, Meryl Streep e Gwyneth Paltrow, que levou a estatueta por Shakespeare Apaixonado. Apesar de não vencer, Fernanda entrou para a história da premiação e do cinema nacional.
Além da indicação individual, Central do Brasil também concorreu ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, atual categoria de Melhor Filme Internacional. A produção perdeu para o italiano A Vida é Bela.
Décadas depois, a ligação da família com a maior premiação do cinema voltou a ganhar destaque com Fernanda Torres, filha da atriz, indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2025 por Ainda Estou Aqui. O filme brasileiro venceu a categoria de Melhor Filme Internacional na mesma edição.