Papa Leão XIV diz que extrema direita não é expressão autêntica do cristianismo

Papa Leão XIV diz que extrema direita não é expressão autêntica do cristianismo

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Alberto Pizzoli/Pool via REUTERS

Publicado em 29/09/2026 às 08:34

O Papa Leão XIV afirmou que manifestações que associam posições de extrema direita a determinadas formas de religião não representam uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi feita nesta segunda-feira (28), durante a coletiva de imprensa no voo de retorno a Roma, após o pontífice concluir uma viagem de quatro dias pela França.

A fala ocorreu em resposta a uma pergunta sobre o avanço de partidos extremistas na Alemanha e uma possível relação entre esse fenômeno e o declínio da Igreja Católica no país. Leão XIV disse que seria necessário estudar se existe alguma relação entre os dois acontecimentos e observou que a própria extrema direita vem passando por processos de fragmentação.

“Ao mesmo tempo, vemos também algumas manifestações que combinam essas posições de extrema direita com um determinado tipo de religião. E não é apenas a minha opinião: tanto os líderes da Igreja Católica quanto os da Igreja Protestante na Alemanha já se pronunciaram a respeito, afirmando que isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo”, afirmou.

Na sequência, o pontífice relacionou a questão aos princípios do Evangelho. “E, mais uma vez, voltamos aos valores do Evangelho, que não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento”, declarou.

Leão XIV também defendeu que a Igreja contribua para aproximar as pessoas de boa vontade e destacou a importância da participação nos processos políticos. Segundo ele, os cidadãos devem fazer escolhas em favor do bem comum, evitando ideias extremistas que possam provocar consequências prejudiciais.

“Mais uma vez, de nossa parte, como Igreja, por meio da Doutrina Social da Igreja, cabe-nos falar, ensinar e pregar aquilo que acreditamos serem valores que promovem a vida, e não a destruição, a divisão e o ódio“, afirmou.

Durante a mesma coletiva, o papa ressaltou que a posição da Igreja diante de questões políticas e sociais não significa necessariamente uma interferência partidária. Ao falar sobre a separação entre Igreja e Estado, ele citou políticos “tanto de esquerda quanto de direita” que defendem que a religião deve permanecer exclusivamente na esfera privada.

Leão XIV afirmou, porém, que a Igreja tem o direito de abordar questões sociais quando aplica os ensinamentos do Evangelho à vida das pessoas. “Quando a Igreja fala sobre a defesa da vida ou sobre questões da Doutrina Social, não está entrando na política; está aplicando o Evangelho à vida das pessoas”, disse.

A declaração sobre a extrema direita ocorreu no último dia da viagem do pontífice à França. Em Metz, cidade próxima à fronteira com a Alemanha, Leão XIV participou de encontros dedicados à paz, ao diálogo inter-religioso e à unidade europeia. Durante a passagem pela cidade, também afirmou que as religiões devem atuar na defesa da dignidade humana e contra aquilo que desfigura essa dignidade.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia