A Polícia Federal encontrou um cenário de luxo e uma série de itens de interesse para a investigação nas três mansões ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Os detalhes aparecem em documentos do inquérito que vieram a público após o Supremo Tribunal Federal retirar o sigilo de parte das investigações da Operação Compliance Zero.
Os imóveis chamaram a atenção dos investigadores pelo padrão das construções. Os relatórios descrevem residências com piscinas, spas, academias, salas de cinema, bares, adegas, suítes e cofres, além de móveis e ambientes classificados pelos agentes como de alto padrão. Durante as buscas, a PF também apreendeu dinheiro, joias, relógios, veículos blindados, equipamentos eletrônicos e obras de arte.

Adega subterrânea chama atenção em um dos imóveis
Em uma das propriedades, os agentes encontraram R$ 290 mil em dinheiro, entre reais e dólares, guardados em uma gaveta-cofre localizada no closet do quarto. Também foram apreendidos um colar de diamantes com a letra “D”, relógios, carros blindados e um HD com capacidade de 6 terabytes.
Entre as obras localizadas está uma pintura atribuída ao francês Pierre-Auguste Renoir. Os policiais também encontraram um quadro com a frase “We Kill for Peace” (“Nós matamos pela paz”) e pastas que traziam os timbres da Câmara dos Deputados e do Banco de Brasília (BRB). A atribuição da obra a Renoir, segundo os documentos divulgados, é uma informação registrada pela investigação, não uma confirmação de autenticidade da autoria.

Quadro atribuído a Renoir foi encontrado
Na residência de São Paulo, um dos destaques foi uma adega subterrânea, onde estavam armazenadas centenas de garrafas de vinho de alto valor. O imóvel também contava com três cofres, segundo os registros da PF. A propriedade faz parte do conjunto de bens que passou a ser analisado no contexto das investigações sobre o Banco Master e o patrimônio de Vorcaro.
Em Brasília, a casa tinha cerca de 1.699 m² de área construída e, de acordo com relatório da PF, era utilizada principalmente para reuniões, jantares e festas. O imóvel teria sido comprado em junho de 2024 por R$ 36 milhões e teve sua indisponibilidade decretada em março deste ano.
A documentação também registra que o endereço recebeu autoridades. Esse aspecto ganhou atenção porque a mansão aparece em outras frentes da investigação que busca mapear as relações de Vorcaro com integrantes do poder público.

Dimensão dos imóveis chamou atenção
A propriedade de Belo Horizonte também chama atenção pelas dimensões e pela estrutura de lazer. Segundo documentos citados pela imprensa, o imóvel tem 2.697,56 m² e foi avaliado em R$ 12 milhões em um dos registros, enquanto outro documento da investigação menciona avaliação de R$ 30 milhões. A diferença decorre das avaliações e referências utilizadas em momentos distintos do processo.
A casa reúne salas de estar, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras esportivas. Em março, a PF chegou a pedir autorização ao ministro André Mendonça, do STF, para transformar a propriedade em uma base operacional de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro em Minas Gerais. O pedido foi negado, e Mendonça determinou a venda antecipada do imóvel, com os recursos destinados a permanecer depositados judicialmente.

Além dessas três propriedades, a investigação também alcançou uma mansão em Nova Lima (MG), ligada à ex-esposa de Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, o imóvel, considerado de “super luxo” nos documentos da PF, possui piscinas interna e externa, parque aquático, lagos artificiais, campos de golfe, quadras, pista de boliche, estande de tiro, simulador de esqui, sala de música, boate e academia. Na busca, porém, nenhum item foi apreendido.
Os imóveis e bens fazem parte de uma investigação mais ampla sobre as operações do Banco Master. Os documentos divulgados nas últimas semanas detalharam não apenas o patrimônio de Vorcaro, mas também relações financeiras e empresariais que estão sendo analisadas pela Polícia Federal. As informações registradas nos relatórios correspondem a elementos de investigação e não representam, por si só, conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.