Adriana Esteves e Murilo Benício voltaram ao universo de “Avenida Brasil” 14 anos depois da estreia da novela. Os atores revisitaram cenas e bastidores da produção de João Emanuel Carneiro durante uma edição do “Conversa com Bial”, gravada nos Estúdios Globo, onde o cenário da sala de Tufão e Carminha foi recriado. A trama ganhará uma continuação em 2027.
Durante a conversa com Pedro Bial, os atores falaram sobre a relação com personagens que permanecem na memória do público e sobre o reencontro com a história. Adriana contou que acompanhar a reprise no “Vale a pena ver de novo” tem ajudado na preparação para a nova fase. “Para mim, tem sido importante. Quando vejo agora, sabendo que haverá a continuação, isso me dá mais coragem. Fico feliz com a novela. Não é só lembrar o que ela foi para a gente na época; como espectadora, eu acho mesmo um novelaço”, afirmou.
O impacto da produção também foi lembrado pelos atores ao comentarem suas próprias trajetórias. Murilo destacou que os personagens ganharam uma dimensão que ultrapassou a própria novela. “Não importa o que eu faça nessa vida: provavelmente ela vai morrer como Carminha e eu como Tufão”, disse. Adriana respondeu em tom bem-humorado ao falar sobre a permanência da personagem em sua carreira. “É um encosto maravilhoso. É um presente gigantesco da vida, uma surpresa, um resgate de autoestima. É muito bom saber que você está fazendo uma coisa que as pessoas adoram”, declarou.
Ao rever cenas exibidas por Bial, como a expulsão de Carminha da casa de Tufão e o encontro final entre Carminha e Nina, Adriana recordou o trabalho desenvolvido para momentos decisivos da trama. Sobre a expulsão, destacou a combinação entre as características da personagem e o texto recebido para a sequência. “Ela mentia muito, dissimulava muito, mas, nessa cena, ela fala muitas verdades. Havia ali uma vontade enorme de ser verdadeira, de colocar tudo para fora. Veio aquele texto e parecia que era agora ou nunca”, contou.
A criação da casa de Tufão também entrou na conversa. Adriana e Murilo destacaram a confiança entre elenco, direção e autor e a possibilidade de improvisar nas cenas familiares. Depoimentos de arquivo de João Emanuel Carneiro e da diretora Amora Mautner também foram recuperados no programa para falar sobre a construção daquele ambiente, cuja aparente desordem se tornou uma característica da novela.
Murilo ainda explicou como imaginava Tufão ao construir o personagem. “Desde a primeira novela, eu tinha muito o Zeca Pagodinho na cabeça: o Tufão é aquele cara que venceu na vida e quer conforto. Ele não sai do Divino. Fez ali a realeza dele”, afirmou. A repercussão internacional da novela também foi lembrada. Exibida em 150 países, “Avenida Brasil” ganhou versões em outros mercados e continuou sendo acompanhada por fãs fora do Brasil.
Para Murilo, a dimensão alcançada pela produção está relacionada à realização e aos personagens. “Pela excelência da realização e, sobretudo, pelos personagens. A Adriana fez um trabalho espetacular. Acho que a Carminha é a novela. É uma coisa tão transcendente que tudo caminhou junto”, afirmou.
Na parte final do encontro, os atores falaram sobre familiares que também se aproximaram da carreira artística. Adriana comentou a trajetória de Felipe Ricca, seu filho, que estudou Direito antes de seguir pelo caminho artístico. Murilo, por sua vez, falou sobre o interesse do filho Pietro Antonelli pela atuação. O episódio com a dupla será exibido pela TV Globo nesta terça-feira, 22 de setembro.