Um Brasil distópico, marcado pela ascensão da extrema direita e pela perseguição à população LGBTQIAPN+, ganha como cenário as paisagens do Recôncavo baiano em “Todo o Sentimento”. Rodado entre Cachoeira, São Félix e Muritiba, o longa de Glenda Nicácio e Ary Rosa representa a Bahia na Mostra Competitiva Nacional da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde foi exibido nesta terça-feira (15).
Na história, é num cenário desolador em que forças autoritárias tomam o poder no país que o cineasta Henrique, vivido por Aldri Anunciação, leva uma vida isolada após se tornar paraplégico, até a chegada do jovem Gustavo, interpretado por Lucas Leto, transformar sua rotina.
“É um filme que a gente grava no interior da Bahia, mas pensando nesse reflexo de um país em que as coisas acontecem aqui em Brasília e reverberam num país inteiro. É um filme distópico, que fala de futuro, mas com temas que correspondem muito às dores do presente”, explicou Ary Rosa em entrevista ao Jornal de Brasília. Apesar do contexto sombrio, o afeto, o amor e os encontros funcionam como elementos centrais da narrativa.
O título vem da canção “Todo o Sentimento”, de Chico Buarque e Cristóvão Bastos, que também serviu de inspiração para a obra. O longa funciona ainda como uma continuação de “Ilha”, outro trabalho de Glenda e Ary protagonizado pelo personagem Henrique. A dupla também é responsável pelo premiado “Café com Canela”, apresentado no próprio Festival de Brasília nove anos atrás.
Com 86 minutos de duração, “Todo o Sentimento” disputa o Troféu Candango com outros seis longas brasileiros. A 59ª edição do Festival de Brasília acontece até 19 de setembro e reúne mais de 70 produções em diferentes mostras e sessões especiais.