Há exatos 30 anos, em 17 de setembro de 1996, a extinta Rede Manchete colocava no ar uma das novelas mais ousadas da televisão brasileira. “Xica da Silva” apostou em erotismo, violência e numa representação sem amenidades da escravidão no Brasil do século XVIII, tornando-se um dos maiores sucessos da emissora.
A produção também transformou a carreira de Taís Araújo. Com apenas 17 anos na estreia, a atriz assumiu sua primeira protagonista ao interpretar Xica, uma mulher escravizada que conquista a liberdade e ascende socialmente após se envolver com o poderoso contratador de diamantes João Fernandes, vivido por Victor Wagner.
Escrita por Walcyr Carrasco, que na época usou o pseudônimo Adamo Angel, e dirigida por Walter Avancini, a novela chamou atenção desde os primeiros capítulos pelas sequências de tortura, nudez, sexo e violência. O tratamento dado a esses temas provocou discussões já na época da exibição e ajudou a construir a fama transgressora da produção.
Além de Taís, o elenco reuniu nomes como Zezé Motta, que havia vivido Xica no clássico filme de Cacá Diegues e interpretou a mãe da protagonista na novela, além de Drica Moraes, Adriane Galisteu, Murilo Rosa, Leci Brandão, Eduardo Dusek e Giovanna Antonelli. A produção ainda ajudou a projetar uma nova geração de atores na televisão.
Exibida até agosto de 1997, “Xica da Silva” permaneceu quase um ano no ar e chegou a colocar a Manchete na vice-liderança de audiência, com momentos em que alcançou o primeiro lugar. Três décadas depois, segue lembrada tanto pela importância na trajetória de Taís Araújo quanto pela forma provocadora com que levou às telas um dos períodos mais violentos da história brasileira.