Há 30 anos, estreava ‘Xica da Silva’, novela que revelou Taís Araújo; relembre este clássico

Há 30 anos, estreava ‘Xica da Silva’, novela que revelou Taís Araújo; relembre este clássico

Redação Alô Alô Bahia

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João Bertonie

Reprodução

Publicado em 17/09/2026 às 18:36

Há exatos 30 anos, em 17 de setembro de 1996, a extinta Rede Manchete colocava no ar uma das novelas mais ousadas da televisão brasileira. “Xica da Silva” apostou em erotismo, violência e numa representação sem amenidades da escravidão no Brasil do século XVIII, tornando-se um dos maiores sucessos da emissora.

A produção também transformou a carreira de Taís Araújo. Com apenas 17 anos na estreia, a atriz assumiu sua primeira protagonista ao interpretar Xica, uma mulher escravizada que conquista a liberdade e ascende socialmente após se envolver com o poderoso contratador de diamantes João Fernandes, vivido por Victor Wagner.

Escrita por Walcyr Carrasco, que na época usou o pseudônimo Adamo Angel, e dirigida por Walter Avancini, a novela chamou atenção desde os primeiros capítulos pelas sequências de tortura, nudez, sexo e violência. O tratamento dado a esses temas provocou discussões já na época da exibição e ajudou a construir a fama transgressora da produção.

Além de Taís, o elenco reuniu nomes como Zezé Motta, que havia vivido Xica no clássico filme de Cacá Diegues e interpretou a mãe da protagonista na novela, além de Drica Moraes, Adriane Galisteu, Murilo Rosa, Leci Brandão, Eduardo Dusek e Giovanna Antonelli. A produção ainda ajudou a projetar uma nova geração de atores na televisão.

Cenas polêmicas que marcaram a novela

Parte da fama de “Xica da Silva” veio de sequências que dificilmente seriam produzidas da mesma maneira hoje. Uma delas envolveu a própria Taís Araújo, que tinha 17 anos quando começou a interpretar a protagonista. A maioridade da atriz chegou a ser tratada pela Manchete e pela imprensa como uma espécie de contagem regressiva para cenas mais ousadas. No dia em que completou 18 anos, foi exibida sua primeira sequência com nudez. Anos depois, Taís criticou aquele contexto de exposição: “Os anos 90 eram um trem desgovernado”.

A violência também alcançava níveis incomuns para uma novela. Em uma das cenas mais lembradas, Xica descobre que Damião repassava informações de sua casa para Violante, ordena a morte do homem e promove uma vingança macabra: sua carne é preparada e servida em um banquete para a elite do Arraial do Tijuco. Em outro momento, a protagonista manda costurar a boca de Paulo, escravizado que seria usado como testemunha contra Zé Maria em um julgamento da Inquisição.

A trama de Zé Maria também abordou a perseguição à homossexualidade no Brasil Colônia. Temendo ser condenado por sodomia, o personagem procura um médico em busca de algo que pudesse mudar sua sexualidade. A resposta, porém, contrariava os preconceitos retratados naquele universo: o médico afirma que aquilo não era uma doença, mas uma “forma de ser”.

Até elementos de terror ganharam espaço. Perto da morte, Dona Bem-Vinda realiza um ritual na tentativa de transferir sua alma para o corpo de um recém-nascido. A sequência, marcada por uma atmosfera sombria e pela aparição de uma cabra preta, reforçou o caráter provocador de uma novela que, entre erotismo, violência, escravidão, religião e sexualidade, levou temas pouco convencionais ao horário nobre da TV aberta dos anos 1990.

Exibida até agosto de 1997, “Xica da Silva” permaneceu quase um ano no ar e chegou a colocar a Manchete na vice-liderança de audiência, com momentos em que alcançou o primeiro lugar. Três décadas depois, segue lembrada tanto pela importância na trajetória de Taís Araújo quanto pela forma provocadora com que levou às telas um dos períodos mais violentos da história brasileira.

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