O maestro Carlos Prazeres, titular da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), estará à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) pela primeira vez em um concerto público e também fará sua estreia como regente no Projeto Aquarius, iniciativa que há mais de cinco décadas aproxima a música clássica do grande público em apresentações gratuitas.
A apresentação será na Praça Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, no sábado (19), com um repertório que atravessa diferentes universos musicais. Estão previstas obras como a “Abertura 1812”, de Tchaikovsky; “Alvorada”, da ópera “Lo Schiavo”, de Carlos Gomes; “Trenzinho do caipira”, de Villa-Lobos; e “Cinema Paradiso”, de Ennio Morricone. Os convidados especiais serão Leci Brandão e Emicida, grandes representantes do samba e do rap.
A relação de Prazeres com o Aquarius, porém, começou antes mesmo de ele nascer, em 1974. Seu pai, o maestro Armando Prazeres (1934-1999), participou da história do projeto desde os primeiros anos. Em 1972, esteve ao lado de Isaac Karabtchevsky, um dos fundadores da iniciativa, e, oito anos depois, regeu a OSB em uma apresentação de “O Messias”, de Händel, dentro do Aquarius, na Igreja da Candelária.
A coincidência se estende a Karabtchevsky, que foi professor de regência de Carlos Prazeres na Itália. Agora, 46 anos depois da apresentação de seu pai, cabe ao maestro conduzir a mesma orquestra em mais uma edição do projeto.
“De certa forma, o convite veio coroar um momento muito legal de carreira. Muitos músicos do Nordeste vêm para o Sudeste trabalhar, acabei fazendo um caminho contrário. Agora, estamos colhendo os frutos desses 15 anos com a Osba, vendo o quanto a orquestra tem reverberado em todo o país”, comenta Prazeres, que é carioca e irmão de Felipe Prazeres, titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio.
A trajetória construída à frente da Osba ajuda a explicar a escolha do maestro para uma iniciativa cuja característica central é justamente aproximar a música de concerto de públicos mais amplos. Na Bahia, Prazeres criou com a orquestra o programa “Osbrega”, dedicado a clássicos românticos nacionais. Já durante os oito anos em que foi regente assistente da Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes), participou de projetos que cruzavam a música de concerto com gêneros populares, como a série “MPB & Jazz”.
Essa mistura também está no DNA do Aquarius. Desde sua primeira edição, em 30 de abril de 1972, quando cerca de 100 mil pessoas acompanharam um concerto no Aterro do Flamengo, a OSB se tornou uma das principais protagonistas do projeto. Ao longo das décadas, participou de mais de cem apresentações gratuitas em espaços públicos do Rio e de cidades como São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte e Vila Velha.
Para o maestro, a democratização da música clássica não passa apenas pela realização de apresentações gratuitas, mas também pela maneira como ela é comunicada. “A música clássica precisa se adaptar ao século XXI. O Aquarius tem essa preocupação com a comunicação, em como atingir esse público. De como levar uma música que muitas vezes requer concentração para uma sociedade acostumada a um consumo de dois ou três minutos. É algo que afeta inclusive a canção popular, uma música do Gil ou do Caetano pode parecer longa hoje em dia”, compara Prazeres em entrevista ao jornal O Globo.
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