A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7), contratada pelo GLOBO e pela TV Globo, mostra um cenário mais desfavorável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a menos de um mês do primeiro turno das eleições. O levantamento aponta piora na aprovação do governo, aumento da preocupação dos eleitores com corrupção e endividamento e, pela primeira vez desde março, empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno.
Apesar do desgaste, Lula ainda lidera a disputa no primeiro turno, com 36% das intenções de voto, oscilando um ponto para baixo em relação à pesquisa anterior. Flávio Bolsonaro também caiu um ponto e aparece com 29%. A principal mudança aparece na simulação de segundo turno.
Lula e Flávio agora têm 41% cada, configurando empate numérico. Em julho, o petista tinha sete pontos de vantagem sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, as oscilações ocorreram dentro da margem de erro, mas, na avaliação apresentada pela pesquisa, o movimento acumulado indica deterioração do cenário para o presidente.
O levantamento também chama atenção para a aprovação do governo. Historicamente, presidentes que buscam a reeleição costumam melhorar sua avaliação durante o período eleitoral, impulsionados pela maior exposição e pelo uso da máquina pública. Lula, porém, vem seguindo caminho diferente. No início de agosto, o governo chegou a ter saldo positivo de um ponto entre aprovação e desaprovação. Agora, 50% desaprovam a gestão, enquanto 43% aprovam, resultando em saldo negativo de sete pontos.
Parte desse movimento ocorre em meio a notícias negativas envolvendo o entorno do presidente. No último mês, surgiram novos indícios em uma investigação sobre tráfico de influência envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula, além de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) também passou a ser explorada pela oposição. Na segunda-feira, na Avenida Paulista, Flávio Bolsonaro afirmou a apoiadores que “quem vota em Lula está votando em Moraes”. As entrevistas da Quaest foram realizadas entre os dias 3 e 6 de setembro, após novas revelações relacionadas ao caso Master envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, além do contrato entre o escritório da mulher de Moraes, que é advogada, e o banco de Daniel Vorcaro, a Polícia Federal encontrou mensagens nas quais o banqueiro “consultava” o ministro sobre como deveria agir diante das investigações que o envolviam no ano passado.
Nesse ambiente, a corrupção ganhou espaço entre as principais preocupações dos eleitores. A parcela que aponta o tema como principal problema do país subiu de 14% para 20%. A corrupção aparece atrás apenas da violência, mencionada por 31%, e praticamente empatada com a economia, que chegou a 19%.
Outro aspecto destacado pela Quaest é a elevada rejeição aos dois principais nomes da disputa. Flávio Bolsonaro tem 55% de rejeição, enquanto Lula aparece com 53%. Ou seja, mais da metade dos entrevistados afirma conhecer os dois candidatos e diz que não votaria neles.
Pablo Marçal aparece em seguida, com 45% de rejeição, seguido por Caiado, com 41%, Zema, com 39%, Renan Santos, com 29%, e Augusto Cury, com 26%. Cury é o único dos candidatos que ainda é desconhecido por mais da metade dos entrevistados: 52% afirmam não conhecê-lo.
Embora Lula tenha sete pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno, o candidato do PL consegue compensar a diferença na simulação de segundo turno por meio da transferência de votos dos demais presidenciáveis. Entre os eleitores de Zema, 59% dizem que votariam em Flávio contra Lula. O percentual é de 58% entre os apoiadores de Renan Santos e de 46% entre os eleitores de Augusto Cury.
A menor transferência ocorre entre os eleitores de Caiado: 36% escolheriam Flávio no segundo turno, contra 25% que votam no candidato do PSD no primeiro turno e afirmam que optariam por Lula na etapa seguinte.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 3 e 6 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-01720/2026.