Mais de quatro décadas separam a primeira passagem de Gilberto Gil pelo Rock in Rio do show desta noite. Em 1985, quando o festival ainda nascia e reunia uma juventude ávida por música em um Brasil que acabava de reencontrar novos ares, Gil esteve na primeira edição. Nesta segunda-feira (7), feriado da Independência, ele retorna ao Palco Mundo. O cenário mudou, o festival cresceu e as gerações se renovaram. Gil, porém, chega carregando consigo algo que o tempo não conseguiu aposentar: a capacidade de fazer a música tocar no coração do público independente de idade, raça e gênero.
A apresentação foi preparada especialmente para esta edição e reúne alguns elementos que ajudam a contar a própria trajetória do artista. Entre eles está a presença da neta Flor Gil nos vocais, integrante de uma família que há décadas transforma convivência musical em tradição. O show também tem um quarteto de cordas e uma homenagem a Rita Lee, com Gil interpretando “Ovelha Negra”.
Quarenta anos depois
Em entrevista gshow antes do show, Gilberto Gil voltou à primeira edição do Rock in Rio. “É um festival que começou em 1985, com uma proposta de juntar a juventude no Brasil”, lembra Gil.
“Era um momento em que música popular se tornava uma coisa muito importante no mundo, era um fator mobilizador da juventude. Depois cresceu, né? O festival cresceu! Hoje é um dos maiores do mundo, na sua vigésima primeira edição já. É sempre muito interessante vir aqui”, afirma.
Rock in Gil
Se Gilberto Gil tem uma história particular com o Rock in Rio, a família tem, nesta edição, uma espécie de programação paralela.
O sobrenome aparece em diferentes palcos e projetos do festival. Bento Gil, filho de Bem Gil, apresentou seu primeiro projeto solo, “Silêncio Azul”, no Global Village. Na ocasião, recebeu a prima Flor Gil, filha de Bela.
No dia 12, os Gilsons chegam ao Palco Sunset. O grupo é formado por José Gil e pelos netos Francisco, filho de Preta Gil, e João, filho de Nara Gil. O trio leva ao festival o espetáculo “Eu Vejo Luz”, baseado no último álbum do grupo, em uma trajetória que já ultrapassou as fronteiras brasileiras e chegou a públicos da Europa e dos Estados Unidos.
O próprio Gil reconhece a influência do ambiente em que seus filhos e netos cresceram.
“Foram criados no meio musical muito vivo, em casa, na casa dos amigos, na casa dos colegas. E quase todos escolheram a vida musical e a profissão de músico. Também estão aí. Estão agora fazendo seus trabalhos, suas carreiras, aproveitando a vida deles”, conta.