Juliette, Larissa Manoela e mais: por que tantas famosas têm sido diagnosticadas com endometriose

Juliette, Larissa Manoela e mais: por que tantas famosas têm sido diagnosticadas com endometriose

Redação Alô Alô Bahia

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Reprodução / TV Globo / Instagram

Publicado em 20/08/2026 às 18:26

Nas últimas semanas, pelo menos três famosas revelaram publicamente o diagnóstico, cada uma de um jeito completamente diferente. E o motivo por trás dessa variação, segundo especialistas, diz muito sobre por que a doença ainda demora tanto para ser identificada.

Nesta quarta-feira (19), Juliette voltou a falar sobre um diagnóstico de endometriose que recebeu em julho deste ano. Durante o “Saia Justa”, do GNT, a apresentadora contou que precisou tomar uma decisão após descobrir a condição. Segundo ela, foram “três noites sem dormir”. “Depois desses três dias, chorando muito, desesperada, eu nunca imaginei que eu ia ficar dessa forma”, relembrou.

Confira:

Já Larissa Manoela optou pelo caminho cirúrgico. Em vídeo postado nas redes sociais em junho, a atriz contou aos seguidores que decidiu, junto com seu médico, retirar os focos de endometriose há duas semanas. “Desde que eu descobri a doença, tenho falado muito sobre esse assunto por aqui, porque acredito que informação é tudo. Quanto mais a gente fala sobre isso, mais mulheres conseguem se identificar, buscar ajuda e entender melhor o que acontece com nosso corpo”, contou.

As duas histórias formam um retrato que vai além do entretenimento: o de uma doença que atinge cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, mas que segue cercada de desinformação.

Para o ginecologista Dr. Thiers Soares, especialista em endometriose, adenomiose e miomas, a explicação para esse atraso quase nunca está na falta de acesso à saúde, e sim na naturalização da dor desde cedo. “Eu costumo dizer que a mulher adulta com endometriose foi, quase sempre, uma adolescente com dor que não foi ouvida. Quando a cólica intensa é tratada como um rito de passagem da puberdade, perdemos anos preciosos de um diagnóstico”, explica o médico.

Um estudo publicado no periódico Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, com base em dados do SUS, identificou 1.192 internações por endometriose entre adolescentes de 10 a 19 anos no Brasil entre 2014 e 2024. Dados da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo (SOGESP) mostram ainda que pacientes cujos primeiros sintomas surgem até os 19 anos levam, em média, 12,1 anos até o diagnóstico correto, contra 3,3 anos entre aquelas cujos sintomas começam depois dos 30.

O motivo, apontam especialistas, é que a dismenorreia (cólica menstrual intensa) é tão comum nessa faixa etária (entre 50% e 90% das adolescentes relatam o sintoma) que acaba interpretada como parte normal do crescimento. É esse ciclo de normalização que histórias como as de Juliette e Larissa Manoela ajudam a romper, dando nome e rosto a um problema até pouco tempo tratado como tabu.

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