Mãe Ana de Xangô receberá Medalha Zumbi dos Palmares, principal honraria da Câmara Municipal de Salvador

Mãe Ana de Xangô receberá Medalha Zumbi dos Palmares, principal honraria da Câmara Municipal de Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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Kirk Moreno para o Alô Alô Bahia

Roberto de Abreu Rodrigues (Beto)

Publicado em 12/08/2026 às 18:20

Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, uma das mais importantes casas de candomblé do país, Mãe Ana de Xangô será homenageada com a Medalha Zumbi dos Palmares. A principal honraria concedida pela Câmara Municipal de Salvador reconhece pessoas e entidades que se destacam na luta contra o racismo, na defesa da igualdade racial e no combate à intolerância religiosa. A cerimônia será realizada no dia 24 de agosto, às 18h, no Plenário Cosme de Farias, no Paço do órgão do Poder Legislativo.

A homenagem é uma iniciativa do vereador João Cláudio Bacelar, autor da Resolução nº 3.469/2025. À frente do Ilê Axé Opô Afonjá desde 2019, Mãe Ana de Xangô é a sexta ialorixá da história do terreiro, fundado em 1910 e localizado no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o espaço preserva rituais da tradição nagô-ketu, vertente do candomblé de origem iorubá ligada aos povos da África Ocidental.

A trajetória da casa é marcada pelo protagonismo feminino. Fundado por Mãe Aninha, ialorixá de Xangô, o terreiro também foi liderado por nomes como Mãe Senhora e Mãe Stella de Oxóssi, uma das principais referências das religiões de matriz africana no Brasil.

Pedagoga, Ana Verônica Bispo dos Santos iniciou sua trajetória no terreiro ainda jovem. Aos 13 anos, participou do Coral Afonjá e, aos 22, foi iniciada no candomblé pela própria Mãe Stella. A escolha para assumir a liderança da casa aconteceu após um jogo de búzios conduzido pelo babalorixá Balbino Daniel de Paula.

Eu nunca imaginei que em 2019 seria sucessora de Mãe Stella de Oxóssi. Me senti assustada e lisonjeada por ser a escolhida de Xangô Afonjá em uma casa fundada por Mãe Aninha. Assumir um terreiro com mais de 110 anos de existência é um grande desafio pela sua história e legado”, afirmou Mãe Ana ao Alô Alô Bahia.

Para a ialorixá, o papel das mulheres é central nas religiões de matriz africana. Além de conduzirem rituais e cuidarem das comunidades religiosas, elas atuam como guardiãs da ancestralidade e da continuidade das tradições. “As mulheres de terreiro não apenas ocupam cargos de liderança, mas são guardiãs da ancestralidade e da coesão comunitária, com poder de decisão”, destaca.

A luta contra o racismo religioso também está entre os desafios enfrentados diariamente pelas lideranças de terreiro. “Ser mulher negra, sacerdotisa e liderança espiritual significa combater diariamente atitudes discriminatórias contra nossa crença e nossas práticas”, afirma Mãe Ana.

Sob sua liderança, o Ilê Axé Opô Afonjá mantém iniciativas voltadas à educação, à preservação da memória e ao fortalecimento da comunidade. Entre elas está a parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Salvador por meio da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, que integra o ensino formal à valorização da história e da cultura afro-brasileira. O terreiro abriga ainda o Museu Ohun Lailai, considerado o primeiro museu instalado dentro de um terreiro de candomblé, além de desenvolver ações comunitárias no bairro de São Gonçalo do Retiro.

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