A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou, na terça-feira (4), a concessão do título de Doutora Honoris Causa à escritora, poetisa e professora Conceição Evaristo. A homenagem, aprovada durante sessão do Conselho Universitário (Consu), marca um momento histórico: ela será a primeira mulher negra a receber a mais alta distinção concedida pela instituição.
A indicação foi apresentada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), e a aprovação contou com manifestações de representantes de diferentes áreas da universidade, que destacaram a relevância da autora para a literatura brasileira e sua contribuição para os debates sobre identidade, relações raciais e representatividade.
Na mesma sessão, a Unicamp também aprovou a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao bioquímico uruguaio Rafael Radi, reconhecido internacionalmente por suas contribuições para a ciência latino-americana. As datas das cerimônias de entrega ainda serão definidas.
Previsto no estatuto da universidade, o título de Doutor Honoris Causa é a maior honraria da Unicamp e é destinado a personalidades que tenham contribuído de forma notável para o avanço das ciências, das artes ou das letras, além de pessoas que tenham prestado serviços relevantes à instituição ou beneficiado a humanidade de maneira excepcional.
Sobre Conceição Evaristo
Nascida em Belo Horizonte, em 1946, Conceição Evaristo é considerada uma das principais vozes da literatura brasileira contemporânea. Formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura negra e pela abordagem de temas como racismo, desigualdade social, gênero e memória.
Sua estreia literária ocorreu nos anos 1990, com publicações na série Cadernos Negros. Desde então, consolidou uma obra reconhecida no Brasil e no exterior, com títulos como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória, Olhos d’Água, Insubmissas Lágrimas de Mulheres e Poemas da Recordação e Outros Movimentos. Suas obras já foram traduzidas para diversos idiomas e integram listas de vestibulares e estudos acadêmicos em universidades brasileiras e estrangeiras.
Ao longo da carreira, a escritora recebeu importantes reconhecimentos, como o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais, pelo conjunto da obra, e o Prêmio Intelectual do Ano, da União Brasileira de Escritores (UBE). Em março de 2024, tomou posse na Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira de número 40.