Uma pesquisa publicada na revista científica Sports Medicine, uma das principais publicações internacionais na área da medicina esportiva, identificou como a sequência de partidas ao longo de uma temporada provoca um desgaste biológico progressivo nos atletas.
O estudo contou com a participação do médico Deivide Souza, ex-aluno da Faculdade de Medicina Zarns Salvador, e acompanhou jogadores de um clube da primeira divisão do futebol brasileiro durante a temporada de 2024.
Os pesquisadores concluíram que o desgaste provocado pelas partidas não desaparece entre um jogo e outro, mas se acumula ao longo do ano. A partir da análise conjunta de 23 marcadores sanguíneos, a equipe desenvolveu um índice capaz de medir a chamada “perturbação sistêmica”, oferecendo uma visão mais ampla do impacto fisiológico causado pela maratona de jogos.
“Mostramos que o desgaste de uma temporada de partidas não é algo pontual. Ele se acumula ao longo do ano e vai deixando uma marca cada vez mais integrada no corpo do atleta”, explica Deivide Souza.

Deivide Souza
Segundo o pesquisador, o estudo também mostrou que danos musculares, inflamação e alterações metabólicas passam a atuar de forma cada vez mais conectada, especialmente nos períodos de maior número de partidas. O resultado ajuda a explicar por que muitos atletas convivem com um desgaste silencioso, mesmo quando exames isolados não indicam alterações significativas.
A expectativa é que os resultados contribuam para decisões mais precisas de médicos do esporte e preparadores físicos em relação à recuperação, ao controle da carga de treinamento e ao retorno dos atletas às competições.
A pesquisa foi publicada na Sports Medicine, considerada uma das principais revistas científicas da área de medicina esportiva.
Acesse o estudo no link: https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-026-02470-z