A Praça Maria Felipa, em Salvador, foi palco de uma grande celebração da cultura afro-brasileira neste domingo (26), durante o encerramento do Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026. O evento reuniu centenas de pessoas para uma programação gratuita que combinou música, ancestralidade, arte e valorização da mulher negra.
Promovido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o circuito encerrou um fim de semana marcado por atividades formativas, rodas de conversa sobre empreendedorismo, mostras audiovisuais e ações voltadas ao fortalecimento da representatividade feminina negra.
O ponto alto da noite foi a maratona de apresentações musicais, que reuniu artistas de diferentes gerações da música negra brasileira. O público acompanhou os shows de Zezé Motta, Mariene de Castro, Márcia Short, MC Tha e Karol Conká.
A responsável por encerrar a programação foi a cantora Melly, um dos principais nomes da nova cena musical baiana, que levou ao palco um repertório marcado pela mistura de R&B, soul, MPB e ritmos afro-brasileiros.
A jornalista e apresentadora Rita Batista, foi a responsável por conduzir o evento e promover momentos de interação com o público.
Ancestralidade e religiosidade marcaram o encerramento
A programação artística começou com apresentações do Slam das Minas, coletivo de poesia falada que levou ao palco performances sobre identidade, resistência e enfrentamento das desigualdades, preparando o público para as homenagens e os shows da noite.
As atividades tiveram início ainda durante a tarde com ações voltadas à preservação das tradições afro-brasileiras. Um dos destaques foi a participação da Casa de Maria Felipa, que resgatou a trajetória da heroína da Independência da Bahia e reforçou o simbolismo da praça que leva seu nome.
A Associação de Terreiros da Bahia também integrou a programação, fortalecendo o diálogo entre cultura, religiosidade e pertencimento.
Durante o encontro, a ialorixá Mãe Diana de Oxum destacou o significado histórico da iniciativa.
“Estar aqui hoje, no Mulheres Negras em Movimento, é a continuação do caminho trilhado por referências como Maria Felipa, Dandara e Tereza de Benguela. Há muito tempo fomos silenciadas. Hoje, as mulheres negras podem contar suas histórias com relevância, fortaleza e, acima de tudo, com escuta.”
O Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026 também promoveu atividades em equipamentos culturais como a Casa das Histórias e o Arquivo Público, consolidando a iniciativa como uma das principais políticas públicas de valorização da mulher negra em Salvador. O encerramento contou ainda com a distribuição de acarajés por meio do festival promovido pela ABAM e reuniu centenas de afroempreendedoras.
O Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026 integrou a programação especial do Julho das Pretas em Salvador e reforçou o protagonismo das mulheres negras por meio da cultura, da arte, do empreendedorismo e da construção de políticas públicas voltadas à equidade racial e de gênero.