Calor faz moradores de Salvador perderem 85 horas de sono por ano, aponta estudo

Calor faz moradores de Salvador perderem 85 horas de sono por ano, aponta estudo

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Shutterstock

Publicado em 15/07/2026 às 13:04 / Leia em 3 minutos

O calor faz os moradores de Salvador perderem, em média, 85 horas de sono por ano. O dado faz parte de um relatório inédito da organização científica Climate Central, que analisou registros meteorológicos de 1.338 cidades para medir os impactos das altas temperaturas no descanso noturno.

Na capital baiana, 5% das horas de sono perdidas devido ao calor estão associadas às mudanças climáticas provocadas pela ação humana. O levantamento relaciona o aumento da temperatura à emissão de gases de efeito estufa por atividades como a exploração de petróleo e o desmatamento.

Em escala global, entre 2020 e 2025, cada habitante do planeta perdeu, em média, 56 horas de repouso por ano por causa do calor. Seis delas podem ser atribuídas diretamente ao aquecimento global. O impacto praticamente dobrou desde a década de 1970 na maioria das cidades analisadas.

O calor interfere no resfriamento natural do organismo, mecanismo essencial para o início do sono. Quando a temperatura permanece elevada durante a noite, o corpo encontra mais dificuldade para reduzir sua temperatura interna, afetando a duração e a qualidade do descanso.

“Uma noite mal dormida costuma causar sonolência, irritabilidade, dificuldade de concentração e redução dos reflexos no dia seguinte. Quando isso se repete durante meses ou anos, o organismo passa a funcionar de maneira persistente em estado de maior estresse”, esclarece Marcelo Maruyama, otorrinolaringologista especialista em medicina do sono, em entrevista ao Correio Braziliense.

Segundo o médico, dormir pouco ou ter um sono fragmentado de forma recorrente está associado ao maior risco de hipertensão, ganho de peso, obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral. “Também pode prejudicar a resposta imunológica. Isso não significa que toda pessoa que dorme mal desenvolverá essas doenças, mas que o sono insuficiente se soma a outros fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e predisposição genética”, complementa.

A desigualdade social também amplia os efeitos das noites quentes. Pessoas com menor acesso a recursos para climatização dos ambientes, como ventiladores ou ar-condicionado, tendem a sofrer mais com a dificuldade para dormir. Idosos e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis. O efeito das noites quentes sobre pessoas com mais de 65 anos foi mais de duas vezes maior do que o registrado entre adultos de meia-idade.

Para os pesquisadores, os efeitos do calor sobre o sono precisam entrar no debate sobre políticas públicas e planejamento urbano. Entre as medidas apontadas estão a ampliação da arborização e das áreas verdes, criação de espaços sombreados, uso de telhados e pavimentos que absorvam menos calor e melhorias nas construções e moradias. “Não se trata apenas de desconforto individual, mas um risco ambiental para a saúde da população”, afirma Maruyama.

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