Cinco mudanças no estilo de vida podem ajudar a retardar o declínio cognitivo em idosos com risco de demência, segundo um estudo latino-americano publicado na revista científica The Lancet. A pesquisa acompanhou 1.065 pessoas durante dois anos em 11 países, incluindo o Brasil, e reforça a importância de combinar diferentes hábitos saudáveis para preservar a saúde do cérebro.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles seguiu um programa estruturado que reunia atividade física, alimentação saudável, controle dos fatores de risco cardiovasculares, treinamento cognitivo e socialização. O outro recebeu apenas orientações gerais sobre hábitos saudáveis.
Segundo o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da UFMG e um dos coordenadores brasileiros do estudo, o principal diferencial está na combinação das estratégias. “Não se trata de recomendar isoladamente que a pessoa faça exercício ou tenha uma alimentação melhor. O que demonstramos é que o efeito aparece quando os cinco pilares são trabalhados simultaneamente”, afirmou.

Cinco hábitos podem retardar o declínio cognitivo em idosos, aponta estudo
Ao final do acompanhamento, os pesquisadores observaram que o grupo submetido ao programa apresentou uma desaceleração do declínio cognitivo em comparação com aqueles que receberam apenas recomendações gerais, indicando que intervenções multidimensionais podem contribuir para reduzir o risco de demência e preservar a autonomia dos idosos por mais tempo.
O estudo integra o projeto LatAm-FINGERS, iniciativa que reúne pesquisadores de diversos países da América Latina para avaliar estratégias não medicamentosas de prevenção do comprometimento cognitivo e da doença de Alzheimer.