As vendas de veículos no Brasil devem ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades em 2026, segundo nova projeção divulgada nesta terça-feira (7) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Caso a estimativa se confirme, será o maior volume registrado desde 2014, representando crescimento de 12,1% em relação ao ano anterior.
A entidade também revisou para cima a expectativa de produção nacional, que deve alcançar 2,7 milhões de veículos, alta de 5,8%. Apesar do avanço, o ritmo da fabricação será inferior ao crescimento das vendas, cenário atribuído ao aumento das importações. “Sempre os resultados do emplacamento e da produção nacional caminham juntos. Mas este ano, o emplacamento será bem maior, reflexo do crescimento das importações. A produção cresce, mas proporcionalmente menos que o tamanho do mercado. Há um descolamento”, afirmou em entrevista ao jornal Extra o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante a apresentação dos novos números do setor.
No início do ano, a associação estimava que o mercado encerraria 2026 com 2,7 milhões de veículos vendidos. A revisão ocorreu após o desempenho acima do esperado no primeiro semestre, quando os emplacamentos de veículos leves registraram crescimento de dois dígitos em alguns meses. Entre janeiro e junho, foram licenciadas 1,42 milhão de unidades, o melhor resultado para o período desde 2014 e um avanço de 18,5% sobre o mesmo intervalo de 2025.
As importações tiveram papel decisivo nesse desempenho. No primeiro semestre, o Brasil recebeu 280 mil veículos importados, sendo 140 mil provenientes da China, volume 98,5% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Pela primeira vez, a entrada de veículos eletrificados, com 145,9 mil unidades, superou a de modelos movidos a combustão, que somaram 134,5 mil. Além disso, chegaram ao país 54 mil veículos montados pelos sistemas CKD e SKD, nos quais os automóveis são importados parcialmente desmontados.
Enquanto o mercado interno cresce, a expectativa para as exportações foi revisada para baixo. A Anfavea projeta que o Brasil embarque 462 mil veículos ao exterior em 2026, queda de 12,18%. A previsão anterior era de 532 mil unidades, o que representaria crescimento de 1,3%. Ao comentar o avanço dos veículos eletrificados, Igor Calvet destacou que a transformação tecnológica é inevitável, mas chamou atenção para a velocidade dessa mudança. “O que eu chamo a atenção é a rapidez dessa mudança. Para sistemas de produção complexos como o nosso é preciso de tempo. Talvez o setor automotivo nunca tenha passado por uma mudança tão rápida”, afirmou.