A influenciadora digital Viih Tube utilizou o seu perfil no Instagram, nesta quinta-feira (2), para se pronunciar a respeito da enxurrada de críticas direcionadas ao “As Patroas”, reality show criado por ela e pelo marido, Eliezer, com a participação dos 11 funcionários da família.
A repercussão do caso ultrapassou as redes sociais e agora é alvo de um procedimento aberto pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Em uma sequência de vídeos, Viih Tube justificou a dinâmica do programa. De acordo com a influenciadora, a proposta era utilizar o formato para fomentar as discussões contra a jornada de trabalho na escala 6×1.
“A nossa intenção era chamar atenção para falar sobre a escala 6×1, que nós somos contra. Porém, eu não imaginava que tomaria a proporção que tomou”, alegou.
O projeto teve sua estreia na última terça-feira (30), sendo disponibilizado nas redes sociais do casal e no canal de Viih Tube no YouTube.
Contudo, após a onda de reprovação do público, o primeiro episódio foi retirado do YouTube, ficando indisponível na plataforma. Atualmente, o segundo episódio pode ser acessado exclusivamente no Instagram da influenciadora.
No vídeo de estreia que gerou revolta, a prova principal exigia que os funcionários procurassem moedas escondidas pela residência.
As gravações exibiram Viih Tube e Eliezer espalhando os objetos por diferentes ambientes, incluindo a sala, um lago artificial e locais como o lixo do banheiro e o interior do vaso sanitário.
Apuração das autoridades
A proporção tomada pelo reality show chamou a atenção das instituições trabalhistas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo confirmou, em nota oficial enviada ao g1, que tomou conhecimento do conteúdo veiculado na mídia e abriu um procedimento para investigar os fatos.
O episódio também gerou uma reação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Embora não tenha citado nominalmente o casal de influenciadores, o órgão publicou um alerta em suas redes sociais ressaltando que expor trabalhadores a cenários de constrangimento ou humilhação pode ser caracterizado como assédio moral.
O tribunal reforçou que a Constituição Federal assegura a proteção à dignidade da pessoa humana e que condutas abusivas são passíveis de responsabilização pela Justiça do Trabalho.
“Humilhação não é entretenimento. No ambiente de trabalho, inclusive no doméstico, respeito é dever”, declarou o TST em sua manifestação.