Pela primeira vez em seus 192 anos de história, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) transferiram simbolicamente suas sedes para Cachoeira, no Recôncavo baiano, durante as celebrações dos 204 anos do Levante de 25 de Junho de 1822, considerado o marco inicial da luta pela Independência da Bahia. A iniciativa inédita fez com que, ao lado do Executivo estadual, que realiza a transferência desde 2007, os três Poderes passassem a celebrar juntos a importância histórica do município na consolidação da liberdade baiana.
A transferência provisória da sede da ALBA foi formalizada por meio do Ato nº 041/2026, assinado pela presidente da Casa, deputada Ivana Bastos, com respaldo no Regimento Interno e aprovação do plenário. Para o governador Jerônimo Rodrigues, a adesão do Legislativo e do Judiciário fortalece o reconhecimento ao protagonismo de Cachoeira na resistência contra as tropas portuguesas. “Desde o Governo Wagner, o Executivo já faz simbolicamente a transferência de sua sede para Cachoeira. E agora, de forma harmônica, o Legislativo e o Judiciário se uniram também nesta iniciativa, reconhecendo a resistência histórica do povo de Cachoeira na consolidação da Independência”, afirmou.
Ao destacar o simbolismo da ocasião, Ivana Bastos ressaltou o papel da cidade na história da Bahia. “Este dia tem uma imensa grandeza. Pela primeira vez, em 192 anos de sua história, o Poder Legislativo transfere simbolicamente sua sede para esta terra de tantos atos de bravura, ampliando a reverência institucional a este berço da liberdade baiana. A Assembleia vem a Cachoeira porque sabe que sua força nasce do povo”, destacou a parlamentar, que também elogiou a manutenção da tradição pelo Executivo estadual. “Governar a Bahia é também honrar a sua história, valorizar os seus símbolos e reconhecer a força dos territórios que ajudam a construir a liberdade de nosso povo”, celebrou.
A programação começou logo ao amanhecer, com salva de 21 tiros, seguida da cerimônia de hasteamento das bandeiras na Praça da Aclamação, revista à tropa e celebração do tradicional Te Deum na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Durante a cerimônia religiosa, o padre André Soeira lembrou a participação do clero local na proteção de negros escravizados e indígenas durante o conflito. “O 2 de Julho de 1823 teve a sua origem no chão desta terra. Se no 2 de Julho o sol brilha mais que no primeiro, aqui nós temos a cidade de Cachoeira com esta aurora, o despontar de um novo dia. Este ato do passado tem ressonância no presente, pois ainda precisamos de novas conquistas, para que a justiça prevaleça em nosso país”, declarou.
Na sessão solene realizada ao lado da Câmara Municipal, a presidente da ALBA destacou que a data ficará marcada na história da instituição. “Que este momento fique gravado nos anais da Assembleia Legislativa e, sobretudo, no coração do povo cachoeirano. Que as novas gerações saibam que, em 25 de junho de 2026, a Assembleia Legislativa da Bahia veio a Cachoeira para dizer: esta cidade está no começo da nossa liberdade”, disse.

Ivana Bastos recebe Título de Cidadã | Foto: Sandra Travassos/Agência ALBA
A cerimônia também concedeu o Título de Cidadã Cachoeirana à deputada Ivana Bastos, além de homenagear o presidente do TJBA, desembargador José Rotondano, a primeira-dama Tatiana Velloso, o procurador-geral de Justiça Pedro Maia e o secretário estadual de Cultura Bruno Monteiro. Em seu discurso, Ivana relembrou figuras femininas da luta pela Independência e ressaltou o simbolismo de ser a primeira mulher a presidir o Parlamento baiano. “Esse fato tem um peso imenso. Cachoeira sabe o valor de abrir caminhos. A Bahia sabe o custo de romper barreiras. As mulheres sabem que cada espaço conquistado carrega o esforço de muitas que vieram antes”, destacou.
Ao final da cerimônia, foi descerrada a placa que marca a instalação simbólica das sedes dos três Poderes em Cachoeira. A programação foi encerrada com o tradicional desfile cívico, reunindo estudantes, fanfarras e filarmônicas.