Espetáculo premiado “CÃO” chega a Salvador com sátira sobre trabalho, poder e sobrevivência

Espetáculo premiado “CÃO” chega a Salvador com sátira sobre trabalho, poder e sobrevivência

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Renato Mangolin

Publicado em 12/06/2026 às 11:42 / Leia em 3 minutos

O caos dos bastidores de uma cerimônia de posse interrompida pela morte inesperada do governante eleito é o ponto de partida de “CÃO”, espetáculo dos premiados grupos nordestinos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE). Após temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, a montagem chega a Salvador para a última etapa de sua circulação pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com apresentações de 18 de junho a 6 de julho no CineTeatro 2 de Julho, na Federação.

Com direção de Fernando Yamamoto e Luiz Fernando Marques (Lubi), a peça acompanha uma equipe de trabalhadores de eventos que precisa reorganizar uma nova posse após a morte do líder de uma jovem república fictícia. Em meio a ordens contraditórias, protocolos absurdos e pressões políticas, o espetáculo constrói uma sátira sobre o mundo do trabalho e sobre aqueles que sustentam estruturas inteiras sem ocupar o centro das narrativas.

Livremente inspirado na tragédia shakespeariana “Coriolano”, “CÃO” não busca adaptar o clássico, mas dialogar com questões contemporâneas da América Latina, como conflitos de classe, manipulação política, relações de poder e precarização da vida. O humor funciona como ferramenta crítica, expondo as violências presentes nas relações de trabalho sem suavizá-las.

Foto: Renato Mangolin

A montagem nasceu da primeira parceria entre os dois coletivos e foi desenvolvida ao longo de cinco residências artísticas realizadas entre Natal, Recife e Rio de Janeiro. O resultado combina elementos característicos dos grupos, reunindo comicidade popular, musicalidade e interação direta com o público à linguagem contemporânea e performativa do Magiluth.

Além de abordar jornadas exaustivas, desgaste mental e instabilidade profissional, a peça também volta seu olhar para o próprio setor cultural. Os bastidores deixam de ser apenas cenário e se tornam um território político, revelando as condições de trabalho de quem faz a cena artística acontecer.

No palco, a história é conduzida por Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sérgio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz. A dramaturgia musical é assinada por Ernani Maletta, com design de som de Gabriel Gianni, iluminação de Ronaldo Costa, cenário de Fernando Yamamoto, Luiz Fernando Marques e Rogério Ferraz, figurinos de Maria Esther e direção de produção de Talita Yohana.

Foto: Renato Mangolin

Com mais de 30 anos de trajetória, o Clowns de Shakespeare é reconhecido pela pesquisa em teatralidade popular e latino-americana, tendo circulado por todas as capitais brasileiras e por países da América Latina e Europa. Já o Magiluth, criado em Pernambuco em 2004, tornou-se referência nacional pela experimentação cênica, com trabalhos como “O ano em que sonhamos perigosamente”, “Dinamarca”, “Apenas o Fim do mundo”, “Estudo N1: Morte e Vida”, “Estudo N2: Miró” e “Édipo REC”.

Em Salvador, as sessões acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos e segundas, às 19h. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), com vendas pela plataforma do Banco do Brasil. A temporada contará ainda com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras nos dias 21 e 28 de junho e audiodescrição em 5 de julho, além de um bate-papo aberto ao público sobre a obra.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia