TSE adia decisão sobre suspensão de pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro após caso Banco Master

TSE adia decisão sobre suspensão de pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro após caso Banco Master

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / Geraldo Magela/Agência Senado

Publicado em 09/06/2026 às 21:44 / Leia em 3 minutos

O Tribunal Superior Eleitoral suspendeu, nesta terça-feira (9), o julgamento que analisa a validade de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República realizada pelo instituto AtlasIntel. A interrupção ocorreu após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para analisar o caso.

Até o momento, o placar está em 1 a 0 pela manutenção da suspensão da pesquisa, conforme voto do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. Ainda não há previsão para a retomada do julgamento.

A controvérsia envolve um levantamento divulgado em 19 de maio que apontou uma queda de cinco pontos percentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O Partido Liberal (PL) questionou a metodologia adotada pelo instituto e pediu a suspensão da pesquisa.

Na segunda-feira (8), Kassio Nunes Marques determinou, em decisão individual, a suspensão da divulgação do levantamento. Segundo o ministro, há indícios de que o questionário possa ter comprometido a neutralidade da pesquisa ao apresentar conteúdos relacionados ao chamado caso Master e à relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao reafirmar seu voto durante a sessão desta terça-feira, o presidente do TSE afirmou que existem elementos que indicam possível interferência na formação da opinião dos entrevistados.

“A existência de sequência de perguntas que aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas”, destacou o ministro.

Com a decisão cautelar em vigor, a pesquisa não pode permanecer publicada nos canais oficiais da AtlasIntel nem ser republicada ou impulsionada nas redes sociais.

Durante o julgamento, a defesa da AtlasIntel argumentou que o PL não apontou irregularidades formais na realização da pesquisa e contestou a alegação de prejuízo ao pré-candidato. Segundo o advogado do instituto, a representação questiona aspectos metodológicos relacionados a fatos políticos públicos e amplamente divulgados.

Já a advogada do PL sustentou que o levantamento apresentou falhas ao não disponibilizar integralmente o material utilizado durante as entrevistas. De acordo com ela, um vídeo exibido aos entrevistados não foi anexado nem transcrito nos documentos apresentados ao Tribunal.

O caso também abriu uma discussão mais ampla sobre os limites metodológicos das pesquisas eleitorais. Durante a sessão, o ministro Dias Toffoli questionou se institutos podem utilizar vídeos ou áudios como estímulos antes de formular perguntas aos eleitores.

Segundo o magistrado, a decisão do TSE poderá servir como referência para futuras pesquisas de intenção de voto durante o processo eleitoral.

“Vamos decidir o futuro. Pesquisa pode tudo ou não pode nada, ou pode perguntas claras e objetivas, sem induzimento. E qual seria esse limite do que é induzimento ou que não é induzimento”, afirmou.

Com o pedido de vista, a análise foi interrompida e seguirá sem data definida para retorno ao plenário.

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