O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a retirada de conteúdos e a suspensão da divulgação de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontava queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.
A decisão atende a um pedido do Partido Liberal (PL), que alegou que o questionário foi elaborado de forma a induzir respostas negativas sobre o parlamentar. Com a medida, o instituto fica impedido de manter os dados em seus canais oficiais. O caso ainda será submetido ao plenário do TSE em sessão marcada para esta terça-feira (9).
O levantamento foi divulgado em maio, após o vazamento de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no qual o senador pediria apoio financeiro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o PL, das 49 perguntas da pesquisa, oito tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que teria influenciado a percepção dos entrevistados. A legenda argumentou que o questionário seguia uma progressão temática que passava por comparação eleitoral, suposta fraude financeira, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento do senador e impactos sobre sua candidatura.
O partido também sustentou que o áudio utilizado como referência não poderia integrar a pesquisa por não haver comprovação de sua autenticidade.
Ao analisar o caso, Nunes Marques afirmou que há indícios de que o questionário possa ter sido utilizado como mecanismo de indução das respostas, comprometendo a metodologia do levantamento. “Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, escreveu o ministro.
Na decisão, ele acrescentou que “a controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.
O presidente do TSE destacou ainda que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram perguntas semelhantes nem utilizaram áudios como parte do questionário. A AtlasIntel entrevistou 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. A pesquisa tem margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Além da suspensão, o instituto deverá encaminhar ao TSE documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da metodologia adotada e esclarecer o uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar no processo.