TSE manda suspender pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro após caso Banco Master

TSE manda suspender pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro após caso Banco Master

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Geraldo Magela/Agência Senado

Publicado em 08/06/2026 às 16:27 / Leia em 3 minutos

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a retirada de conteúdos e a suspensão da divulgação de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontava queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.

A decisão atende a um pedido do Partido Liberal (PL), que alegou que o questionário foi elaborado de forma a induzir respostas negativas sobre o parlamentar. Com a medida, o instituto fica impedido de manter os dados em seus canais oficiais. O caso ainda será submetido ao plenário do TSE em sessão marcada para esta terça-feira (9).

O levantamento foi divulgado em maio, após o vazamento de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no qual o senador pediria apoio financeiro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o PL, das 49 perguntas da pesquisa, oito tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que teria influenciado a percepção dos entrevistados. A legenda argumentou que o questionário seguia uma progressão temática que passava por comparação eleitoral, suposta fraude financeira, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento do senador e impactos sobre sua candidatura.

O partido também sustentou que o áudio utilizado como referência não poderia integrar a pesquisa por não haver comprovação de sua autenticidade.

Ao analisar o caso, Nunes Marques afirmou que há indícios de que o questionário possa ter sido utilizado como mecanismo de indução das respostas, comprometendo a metodologia do levantamento. “Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, escreveu o ministro.

Na decisão, ele acrescentou que “a controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.

O presidente do TSE destacou ainda que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram perguntas semelhantes nem utilizaram áudios como parte do questionário. A AtlasIntel entrevistou 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. A pesquisa tem margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Além da suspensão, o instituto deverá encaminhar ao TSE documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da metodologia adotada e esclarecer o uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar no processo.

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