O Brasil voltou a ser alvo de críticas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) por causa da elevada judicialização no setor. Durante a abertura da Assembleia Geral Anual da entidade, realizada neste domingo (7), no Rio de Janeiro, o diretor-geral da organização, Willie Walsh, afirmou que o país concentra cerca de 95% dos processos judiciais relacionados aos direitos dos passageiros registrados em todo o mundo.
Em discurso para executivos de companhias aéreas de diversos países, Walsh usou o cenário brasileiro como exemplo dos impactos negativos de modelos regulatórios considerados excessivamente litigiosos. Segundo ele, legislações que priorizam punições às empresas em vez de soluções para os problemas enfrentados pelos passageiros acabam gerando mais custos ao setor sem melhorar a experiência de viagem.
“Grande parte dos atrasos e cancelamentos registrados pela indústria tem origem em fatores que não estão sob controle direto das companhias aéreas, como limitações de infraestrutura aeroportuária, gestão do espaço aéreo e condições climáticas”, disse Willie Walsh, diretor-geral da Iata, ao PANROTAS.
O executivo argumentou que responsabilizar exclusivamente as empresas por essas ocorrências não contribui para resolver as causas dos problemas. “Essa abordagem não resolve nenhum problema, mas consome recursos valiosos em litígios intermináveis”, destacou Willie.
A Assembleia Geral Anual da Iata segue até esta segunda-feira (8) na capital fluminense, reunindo representantes das principais companhias aéreas do mundo para discutir os desafios e perspectivas da aviação global.