Uma nova esperança para o tratamento do câncer de pâncreas foi apresentada durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em Chicago, nos Estados Unidos. Os resultados de um estudo de fase 3 com o medicamento oral daraxonrasib chamaram a atenção da comunidade médica e chegaram a ser recebidos com uma ovação pelos especialistas presentes no evento.
Publicada simultaneamente no New England Journal of Medicine, a pesquisa acompanhou cerca de 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratado. Os resultados mostraram que aqueles que receberam o daraxonrasib tiveram uma sobrevida mediana de 13,2 meses, ante 6,7 meses observados entre os pacientes tratados com quimioterapia convencional.
Além disso, o estudo apontou uma redução de aproximadamente 60% no risco de morte e mostrou que mais de 30% dos pacientes apresentaram diminuição mensurável dos tumores. Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o baixo índice de interrupção do tratamento por efeitos colaterais: apenas 1,2% dos participantes precisaram suspender o uso da medicação.
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O medicamento atua sobre alterações genéticas da família RAS, presentes na grande maioria dos tumores pancreáticos. Além do aumento da sobrevida, os pesquisadores observaram maior controle da progressão da doença e menos efeitos adversos graves em comparação com os tratamentos atualmente utilizados.
Considerado um dos cânceres mais agressivos e de mais difícil diagnóstico precoce, o câncer de pâncreas costuma apresentar prognóstico desfavorável, principalmente porque os sintomas geralmente surgem em estágios avançados da doença.
Durante a apresentação dos dados na ASCO, médicos e pesquisadores interromperam a sessão com uma salva de aplausos, uma reação incomum em congressos científicos. O entusiasmo foi motivado pela possibilidade de que o daraxonrasib represente uma mudança significativa no tratamento da doença e, futuramente, possa reduzir a dependência da quimioterapia em determinados pacientes.
Embora o medicamento ainda dependa dos trâmites regulatórios para aprovação definitiva em diferentes países, os resultados alimentam a expectativa de um novo capítulo no combate a um dos tipos de câncer mais desafiadores da medicina atual.