Um estudante do Instituto Federal Baiano (IF Baiano) ajudou pesquisadores a identificar um sítio arqueológico inédito na comunidade do Rumo, em Xique-Xique. O local, batizado de sítio arqueológico Olhos D’Água, reúne pinturas rupestres e vestígios de ferramentas pré-coloniais e já foi incluído no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A descoberta aconteceu após o estudante Cassiano Santos da Conceição relatar ao professor Romeu Leite, coordenador do Projeto Assuruá, a existência de vestígios arqueológicos em um córrego conhecido como Olhos D’Água.

Morador da região, Cassiano contou que conheceu o local durante uma visita com a família em 2020.
“Fiquei sabendo da existência do sítio arqueológico através do meu pai. Ele levou eu, minha irmã e meu irmão para conhecer o local e contar um pouco mais sobre a vida dele antigamente”, relatou.
A partir do relato, pesquisadores do Projeto Assuruá realizaram uma expedição no dia 27 de abril até a área, localizada em uma propriedade rural da região.
Além das pinturas rupestres, a equipe encontrou um possível raspador de rocha, estrutura utilizada por povos antigos para polir ferramentas feitas de pedra.
Segundo o professor Romeu Leite, a descoberta chamou atenção porque não havia registros arqueológicos cadastrados naquela área de Xique-Xique.
“Foi realmente uma surpresa, porque não havia sítios registrados no Iphan naquela região. Além disso, o local é uma espécie de oásis no sertão, com nascente de águas cristalinas e abrigos rochosos”, afirmou.
As pinturas encontradas pertencem à chamada Tradição São Francisco, caracterizada por grafismos, figuras geométricas, representações humanas e desenhos de animais.
Os pesquisadores também identificaram afloramentos rochosos da Formação Tombador, que possivelmente serviam de abrigo para povos indígenas que habitaram a região.
Ainda não há estimativa de datação para os vestígios encontrados, já que o projeto atua sem intervenções arqueológicas diretas. A expectativa é que futuras parcerias com instituições e arqueólogos permitam estudos mais aprofundados sobre o sítio.
Após a expedição, a equipe produziu documentação técnica com geolocalização, fotografias e delimitação da área, encaminhando o material ao Iphan, que validou o cadastro do novo sítio arqueológico.
O Projeto Assuruá atua no Território de Identidade de Irecê e tem como objetivo identificar, catalogar e divulgar sítios arqueológicos ainda desconhecidos no semiárido baiano.