Uma proposta que une educação, sustentabilidade e preservação ambiental pode transformar a relação de crianças e jovens de Vera Cruz com o mar. Articulado pelo Projeto Mares, da ONG socioambiental PRÓ-MAR, em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, um projeto de lei apresentado na Câmara de Vereadores de Mar Grande prevê a inclusão da cultura oceânica nas redes pública e privada de ensino do município.
A proposta foi apresentada esta semana pelo vereador Fernando Niraldo Castro Reis e deve ser votada na próxima semana. O texto prevê a adoção do chamado “currículo azul” de forma transversal, da educação infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), integrando o letramento oceânico ao cotidiano escolar.
Segundo o professor Geraldo Fonseca, coordenador de Educação Ambiental do Projeto Mares, a iniciativa busca inserir o oceano como tema estruturante em diferentes disciplinas, estimulando o pensamento crítico e a conscientização sobre os impactos da relação entre sociedade e ambiente marinho. “O projeto de lei define a cultura oceânica como o conjunto de processos que permite compreender tanto a influência do oceano sobre a vida humana quanto o impacto das ações humanas sobre os ecossistemas marinhos”, explica.
A proposta chega em paralelo ao avanço das ações formativas do Projeto Mares. A partir do fim de maio, a iniciativa oferecerá um curso de Educação Ambiental Escolar com foco em cultura oceânica para gestores escolares dos municípios de Vera Cruz e Itaparica. “A ideia é trabalhar com quem está na gestão escolar, para que a cultura oceânica não apareça como um conteúdo isolado, mas como algo integrado ao cotidiano pedagógico”, afirma Geraldo.
Ele também destaca que a iniciativa pode fortalecer uma articulação regional entre os municípios da Ilha de Itaparica. “Esse diálogo com Vera Cruz abre caminho para uma articulação com Itaparica. A gente está falando de uma ilha que compartilha desafios e potencialidades, então faz sentido pensar essa agenda de forma integrada”, diz.
O projeto também prevê formação continuada para professores, com apoio de universidades, instituições científicas, órgãos governamentais e entidades ligadas à área ambiental. Caso seja aprovado, caberá à Prefeitura de Vera Cruz regulamentar a lei e definir as diretrizes de implementação nas escolas.