Tom Zé ganha livro que celebra trajetória entre Irará, na Bahia, e São Paulo

Tom Zé ganha livro que celebra trajetória entre Irará, na Bahia, e São Paulo

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Lucas Bassi.

Publicado em 05/05/2026 às 11:00 / Leia em 3 minutos

Às vésperas de completar 90 anos, em outubro, o baiano Tom Zé ganhou uma nova homenagem em forma de livro que ajuda a traduzir sua trajetória singular entre o interior da Bahia e a metrópole paulista. “São, São Paulo Meu Amor – Tom Zé, Cidadão Paulistano” foi lançado pela Editora Autonomia Literária, com textos de artistas e intelectuais sobre o músico nascido em Irará, cuja obra atravessa décadas como uma das mais inventivas da música brasileira.

A publicação compila discursos feitos durante a cerimônia que concedeu ao artista o título de Cidadão Paulistano, em setembro de 2025, reconhecimento que chegou décadas depois de proposto, em 2004. Organizado pelo arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, o livro traz contribuições de nomes como Valter Hugo Mãe, José Miguel Wisnik e Maria Adelaide Amaral, além de integrantes do bloco Abacaxi de Irará, conectando diferentes olhares sobre o artista.

A história narrada nas páginas do livro passa, inevitavelmente, pela travessia que levou o jovem de Irará à efervescente cena cultural de São Paulo no fim dos anos 1960. O músico chegou à cidade em 1968, levado por Caetano Veloso, e logo se tornaria um dos nomes centrais do tropicalismo, ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa e da banda Os Mutantes. Foi ali que também conheceu Rita Lee, com quem compôs “2001”.

Embora tenha se destacado ainda jovem na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, foi em São Paulo que consolidou sua linguagem única, marcada pela experimentação e pelo olhar atento à vida urbana. Dessa relação nasceram canções que transformam a cidade em personagem, como “São, São Paulo, Meu Amor”, “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel” e “Augusta, Angélica e Consolação”.

Capa do livro | Foto: Reprodução

Mesmo com a forte ligação com São Paulo, a obra e a memória de Tom Zé seguem profundamente ancoradas em suas origens baianas. Ele costuma revisitar a infância em Irará como uma espécie de formação linguística e cultural. “Um belo dia, inventei de aprender a língua do povo que eu atendia no balcão. Meus irmãos todos atendiam também, porque todo mundo trabalhava com o pai naquele tempo. Meu pai tinha uma loja, que era especialmente preferida pelo povo da roça”, recorda, em entrevista ao Viva.

Mais tarde, ao conviver com familiares durante as férias, buscou entender outra forma de falar e pensar. “Eu ficava passando as palavras na cabeça para ver se eu estava compreendendo realmente o que estava ouvindo lá”, diz. Ao se mudar para Salvador para estudar, percebeu a soma dessas experiências. “Em vez da língua que toda pessoa sabe, sabia falar três línguas diferentes”.

Foi apenas ao chegar a São Paulo que ele incorporou o que considera um quarto idioma, o da cidade grande, que traduz a complexidade das ruas e se tornaria marca de sua obra. Entre Irará e a capital paulista, o livro revela um artista que nunca deixou de ser profundamente baiano, mesmo quando se tornou, oficialmente, também paulistano.

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