Após ter o nome rejeitado pelo Senado para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, adotou um tom de resignação e disse aceitar o resultado com “alma leve” e “coração tranquilo”. Em coletiva de imprensa na noite desta quarta-feira (29), ele afirmou que a decisão faz parte do processo democrático e que sua trajetória não se encerra com a derrota.
“Tem dias de vitórias e tem dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Senado é soberano, o plenário falou”, declarou. Ao longo da fala, Messias repetiu que participou de todas as etapas da indicação “de forma íntegra e franca” e que se submeteu ao escrutínio público “de coração aberto”.
“Eu cumpri o meu propósito. Vim, participei, falei a verdade, falei o que penso e o que sinto”, disse. “Não encaro isso como um fim. A história não acaba aqui.”
A indicação de Messias, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi rejeitada por 42 votos contrários e 34 favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação. A votação secreta frustrou a expectativa do governo, que vinha articulando apoio ao nome nos últimos meses.
Na coletiva, o ministro também afirmou que foi alvo de ataques durante o processo. “Passei por cinco meses de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu”, declarou, sem apontar diretamente responsáveis.
Apesar das críticas, Messias evitou direcionar ataques aos senadores e agradeceu o apoio recebido. “Fui recebido por 78 senadores de forma generosa. Não tenho nada a reparar acerca da conduta de ninguém. Sou grato aos votos que recebi”, afirmou.
O advogado-geral da União também adotou um discurso pessoal e religioso ao comentar o desfecho. “A minha vida está nas mãos de Deus. Deus tem um plano para cada um de nós”, disse. “Lutei o bom combate e preciso aceitar o resultado.”
Messias destacou ainda que seguirá na vida pública e que a rejeição não altera sua trajetória profissional. “Sou servidor público de carreira, construí minha vida pelo estudo e pelo mérito. Não preciso de cargo para me sustentar”, afirmou. “Agora é bola para frente. Temos muito ainda a servir.”
Antes de ir ao plenário, o indicado havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por 16 votos a 11, após uma sabatina de cerca de oito horas. Mesmo com o aval da comissão, o nome acabou rejeitado na votação final, sendo a primeira negativa do Senado a um indicado ao STF em mais de um século.
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