Daniela Mercury relembra criação do Circuito Dodô e comenta incidentes no Carnaval de SP: “É preciso deixar a rua livre para o povo”

Daniela Mercury relembra criação do Circuito Dodô e comenta incidentes no Carnaval de SP: “É preciso deixar a rua livre para o povo”

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Reprodução/TV Globo

Publicado em 11/02/2026 às 11:29 / Leia em 5 minutos

A cantora Daniela Mercury foi a convidada desta terça-feira (10) do Jornal da Globo, em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, e revisitou momentos decisivos de sua trajetória, marcada por pioneirismo, inovação e expansão do Carnaval brasileiro dentro e fora da Bahia.

Ao apresentá-la, Renata destacou a dimensão histórica da artista. “Uma das maiores forças do Axé, além de visionária quando o assunto é trio elétrico. Com mais de quatro décadas de carreira, 26 álbuns lançados e um Grammy na estante, ela revolucionou ao criar em Salvador, há 30 anos, o hoje célebre Circuito Barra-Ondina. Há 10 anos, trouxe a toda sua experiência e entusiasmo para o Carnaval da maior cidade do país, onde no ano passado reuniu mais de um milhão e meio de foliões”, destacou a jornalista.

Ao comentar a consolidação do Carnaval de rua paulistano na última década, Daniela avaliou o impacto da festa na maior capital do país para o cenário nacional. “Eu acho que São Paulo, sendo a maior capital do Brasil, a capital da importância econômica e turística que ela tem, determina uma mudança bastante grande no cenário do Carnaval do Brasil”, afirmou.

Para ela, o crescimento dos blocos e do trio elétrico nas ruas paulistanas ampliou a relação do público jovem com um carnaval mais espontâneo, dialogando com tradições de cidades como Recife, Rio de Janeiro e a própria Salvador. A artista fez questão de reconhecer que São Paulo já tinha histórico carnavalesco, mas ressaltou que a festa “se expandiu do tamanho da cidade agora”.

A relação de Daniela com a capital paulista, no entanto, começou muito antes da explosão recente dos blocos. Ao relembrar o emblemático show de 1992 no Vão do Masp, citado por Renata como um marco da expansão da Axé Music, a cantora contou que, sem grandes expectativas, acabou reunindo cerca de 30 mil pessoas em frente ao museu. “E eu só fiz 40 minutos de show porque a secretária de Cultura teve que me tirar de lá porque as obras de arte do MASP estavam sacudindo. O vão livre também não estava muito seguro, balançando junto comigo. Parecia mais um trio elétrico. E foi assim que eu consegui entrar em São Paulo e chamar atenção, porque ninguém me conhecia”, conta.

Outro ponto central da entrevista foi a criação do Circuito Barra-Ondina, há três décadas, hoje considerado o principal eixo do Carnaval de Salvador. Daniela explicou que, após o sucesso de álbuns como “Canto da Cidade” e “O Swing da Cor”, que ampliaram significativamente o público da festa baiana, decidiu descer com o bloco Crocodilo para a orla, então pouco ocupada. “Como não coube lá em cima, eu rapidamente disse ‘Sabe de uma coisa? Eu vou para a beira do mar'”, contou. A aposta incluiu a criação do Camarote Daniela Mercury e uma estratégia de divulgação nacional que ajudou a consolidar o novo circuito. “Meu trabalho é sempre de fazer a minha cidade e a cultura ficarem mais conhecidas”, afirmou.

Conhecida por incorporar novas linguagens ao trio elétrico, a artista também falou sobre as experiências que misturaram música eletrônica, teatro e até momentos mais intimistas em plena avenida. “Eu resolvi fazer intervenções. Eu sempre fui bailarina, sempre trabalhei com teatro e queria trazer um pouco da experiência que eu tinha absorvido nas viagens para o exterior e das minhas pesquisas para o Carnaval”, explicou.

Mesmo enfrentando resistência inicial ao introduzir batidas eletrônicas no início dos anos 2000, Daniela insistiu na proposta. “Primeiro ano não foi fácil. A turma estranhou muito. Cinco anos depois, Maimbê Dandá, uma música eletrônica misturada com baiana, ganhou a música do Carnaval. Quer dizer, eu consegui trazer também essa nova linguagem”, destaca.

Ao final da entrevista, Daniela comentou os incidentes registrados no pré-Carnaval de São Paulo no último fim de semana, quando houve problemas de segurança e foliões ficaram feridos. A cantora ponderou que a organização de grandes multidões é um desafio complexo. “O que aconteceu em São Paulo me pareceu uma tentativa de organização de algo que é muito difícil de organizar e conter, que é a multidão dançando”, avaliou. Segundo ela, barreiras metálicas podem agravar situações de superlotação. “Quando tem muita gente no lugar, não há como reduzir esse espaço, a não ser no máximo com tapumes, essas barreiras não seguram a população, elas causam problemas.” Para Daniela, a principal medida é garantir fluidez. “É preciso deixar a rua livre para o povo dançar. Só isso”.

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