A Bienal do Livro Bahia 2026 anunciou as primeiras atrações de sua programação cultural e confirmou que a próxima edição será a maior da história do evento. Com o tema “Bahia – Identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”, a Bienal acontece de 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções Salvador, ganhando um dia a mais em relação à edição anterior.
Entre os primeiros nomes confirmados estão Thalita Rebouças, autora de mais de 20 títulos e fenômeno entre o público juvenil; Laila Garin, atriz e cantora baiana; NegaFyah, multiartista soteropolitana e semifinalista do Prêmio Oceanos 2025; Vitor Martins, escritor best-seller reconhecido pela representatividade LGBTQIA+; Luciany Aparecida, autora e pesquisadora baiana finalista do Prêmio Jabuti 2024; Aline Bei, também finalista do Jabuti, conhecida por sua escrita intimista e experimental; e Eliana Alvez Cruz, cuja obra premiada destaca perspectivas afro-brasileiras.
Um dos encontros mais aguardados da programação reunirá Paloma Jorge Amado, filha de Jorge Amado e Zélia Gattai, e Pilar del Río, viúva de José Saramago. As duas conversam sobre a amizade literária entre Amado e Saramago, as trocas culturais entre Salvador e Lisboa e os projetos de memória que desenvolvem em torno desses grandes nomes da literatura mundial. Pilar preside a Fundação José Saramago, enquanto Paloma integra o Conselho Diretor da Fundação Casa de Jorge Amado e dirige a Grapiúna, empresa que administra os direitos autorais do escritor baiano. O painel está marcado para o dia 18 de abril.
A agenda inicial já define datas para outras mesas: Eliana Alvez Cruz também participa no dia 18; Thalita Rebouças e Vitor Martins se apresentam no dia 17; Aline Bei e Laila Garin têm painéis nos dias 19 e 20, respectivamente; e NegaFyah e Luciany Aparecida encerram a programação anunciada no dia 21. A organização reforça que a grade completa será divulgada em março e que novos nomes, inclusive autores internacionais de grande apelo popular, devem ser anunciados nas próximas semanas. Todos os painéis contarão com ao menos um convidado ou convidada da Bahia, mantendo a proposta de diálogo entre o local e o global e ampliando o contato direto entre autores e público, com sessões de conversa, autógrafos e fotos.

Laila Garin e Vitor Martins estão entre os nomes já confirmados
A curadoria da Bienal do Livro Bahia é inteiramente baiana. O Eixo Literário é conduzido por Josélia Aguiar e Itamar Vieira Junior; o Eixo Cultura além do Livro fica sob responsabilidade de Aldri Anunciação, que propõe conexões entre literatura, música, cinema e artes; o Eixo Young Adult é curado por Deco Lipe; o Eixo de Atualidades será comandado por Maíra Azevedo (Tia Má); e o Eixo Infantil segue sob direção de Mira Silva, com programação contínua voltada para famílias e crianças, incluindo teatro, música e contação de histórias.
Segundo Josélia Aguiar, duas linhas curatoriais orientam a edição de 2026. “Uma delas aprofundará conversas iniciadas nas Bienais Bahia anteriores, sobre narrativas literárias, históricas e culturais envolvendo o universo baiano; a outra linha, novidade este ano, tem como proposta apresentar autorias no campo da literatura nacional que não tinham sido contempladas ainda pelo público baiano”, afirma.
Já Aldri Anunciação destaca o livro como ponto de partida para outras linguagens: “As atividades propostas por mim revelam a página virando música, artes visuais, teatro, cinema e jogos eletrônicos, com processos à vista e participação do público. Minha expectativa é surpreender, criar encontros que permaneçam e gerar entretenimento”.
Para Deco Lipe, o eixo voltado aos jovens adultos reflete a vocação da Bienal de dialogar com temas contemporâneos. “Buscarei propor temas que atravessem o olhar da juventude contemporânea, reunindo convidados e mediadores que os debatam de forma leve, irreverente e, ao mesmo tempo, profunda, tendo a literatura como elo”, explica.
Reconhecida como o principal evento de literatura, cultura e entretenimento do Nordeste, a Bienal do Livro Bahia chega a 2026 em franca expansão. Serão sete dias de evento, com expectativa de público superior a 120 mil visitantes, superando o recorde de 100 mil pessoas registrado em 2024. O crescimento é atribuído ao desempenho da edição anterior, que ultrapassou as metas de público, engajamento e resultados comerciais das editoras.
A ampliação do calendário também responde à diversidade de públicos que frequentam a Bienal, como famílias, jovens adultos e crianças, além da forte presença de visitas escolares. O objetivo é oferecer mais conforto, melhor distribuição da programação cultural e uma experiência qualificada ao público, consolidando o evento como espaço de encontro entre leitores, autores, editoras e pensadores.
De acordo com Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions, organizadora da Bienal do Livro Bahia, a edição 2026 reforça o caráter plural e conectado do evento. “Ampliar a duração do evento, apostar em uma curadoria 100% baiana e reunir um mix tão plural de editoras reforça o nosso compromisso com a leitura como experiência coletiva, acessível e transformadora”, afirma.
O crescimento também se reflete na área destinada às editoras, que será 20% maior do que em 2024, totalizando mais de 3 mil m² de estandes. As vendas foram encerradas ainda em outubro do ano passado e houve abertura de lista de espera para novos interessados. Entre as editoras confirmadas estão HarperCollins Brasil, Companhia das Letras, Ciranda Cultural, Aleph, Grupo Planeta, que participa pela primeira vez, e Malê, que ampliou seu espaço.
Outro destaque é a estreia do Coletivo Compiladas, que reúne editoras independentes como Arquipélago, Bazar do Tempo, Cobogó, Dublinense, Ercolano, Ímã Editorial, Fósforo, Lote 42, Mórula, Nós, Oficina Raquel, Relicário, Solisluna, Tabla e UBU. A Bienal também mantém seu compromisso com o mercado editorial local, garantindo a presença de editoras e livrarias baianas, como LDM, Escariz, Letra A, Caramurê, Arpillera, além dos selos universitários da UFBA, UNEB e UCSAL, reafirmando a pluralidade e a bibliodiversidade como marcas do evento.