A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, foi palco de um momento histórico para a preservação da cultura afro-brasileira nesta sexta-feira (16). A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou da cerimônia de emplacamento que oficializa o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê como Patrimônio Cultural do Brasil.
O ato, organizado em parceria entre o Ministério da Cultura (MinC), o Iphan e a comunidade religiosa, marca o reconhecimento federal de um espaço que há mais de um século funciona como símbolo de fé e resistência. Durante o evento, Margareth enfatizou que a proteção desses territórios não é favor, mas uma obrigação legal.
“A gente está cumprindo a nossa função como Estado. Nós estamos aqui cumprindo o que determina a Constituição sobre os direitos culturais do povo brasileiro”, afirmou a ministra.
Ela reforçou a necessidade de valorizar a memória da construção social do país: “É um legado que a gente precisa reconhecer, fortalecer e pedir respeito a isso, porque não é feito de um dia para o outro”.

Foto: Maurício Galvão
História centenária
Localizado em um platô na região da Terra Vermelha, o Ilê Axé Icimimó é uma Casa de Santo da Nação Nagô, regida pelo orixá Xangô. Fundado em 1916, o espaço ficou conhecido por décadas como o “terreiro de Mãe Judith”, em referência à matriarca que iniciou essa trajetória.
Ao longo de mais de 100 anos, o local atravessou gerações de líderes religiosos e se consolidou como um ícone de resistência à intolerância religiosa em Cachoeira, mantendo vivo um calendário de festas que movimenta a cidade nos meses de julho, agosto, setembro e dezembro.
O reconhecimento celebrado nesta sexta-feira consolida um processo de proteção que vem sendo construído há anos. O terreiro foi inscrito no Livro do Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do Iphan em 2024, após aprovação unânime do Conselho Consultivo do órgão, que destacou o valor histórico, cultural e ambiental da casa.
Antes da chancela federal, o Ilê Axé Icimimó já havia sido reconhecido pelo estado. Em 2014, o terreiro foi tombado como Patrimônio Imaterial da Bahia, integrando o Livro do Registro Especial de Espaços de Práticas Culturais Coletivas.