Ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história, aponta observatório climático

Ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história, aponta observatório climático

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 14/01/2026 às 16:52 / Leia em 4 minutos

O planeta registrou em 2025 o terceiro ano mais quente da série histórica, segundo dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo serviço climático Copernicus, da União Europeia. O levantamento integra o relatório Global Climate Highlights 2025.

A temperatura média global alcançou 14,97 °C, ficando 1,47 °C acima do nível pré-industrial (1850–1900). O valor ficou apenas 0,01 °C abaixo de 2023 e 0,13 °C inferior a 2024, que permanece como o ano mais quente já registrado.

Três anos seguidos acima de 1,5 °C

Pela primeira vez desde o início das medições modernas, a média de temperatura de três anos consecutivos — 2023, 2024 e 2025 — superou o patamar de 1,5 °C acima do período pré-industrial. Esse valor representa o limite mais ambicioso estabelecido pelo Acordo de Paris, firmado em 2015, para evitar os impactos mais severos da mudança climática.

Os cientistas ressaltam que o acordo se refere a um aquecimento de longo prazo, e não a médias de curto período. Ainda assim, os dados indicam que o planeta se aproxima desse limite de forma acelerada. O relatório também confirma que os últimos 11 anos foram os 11 mais quentes já registrados, evidenciando uma tendência contínua de aquecimento.

“Este relatório confirma que a Europa e o mundo atravessam a década mais quente já observada. Preparação e prevenção ainda são possíveis, mas apenas se as decisões forem guiadas por evidências científicas sólidas”, afirmou Florian Pappenberger, diretor-geral do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), que opera o serviço Copernicus.

Calor generalizado e situação crítica nos polos

Em 2025, as temperaturas elevadas foram observadas em praticamente todo o planeta. Janeiro foi o mês de janeiro mais quente já registrado, e quase todos os meses do ano ficaram acima das médias históricas anteriores a 2023. Apenas fevereiro e dezembro escaparam desse padrão.

Nas regiões tropicais, as temperaturas do ar e da superfície do mar foram ligeiramente menos extremas do que em 2023 e 2024, em parte devido a condições próximas da neutralidade ou à atuação de uma La Niña fraca no Pacífico. Ainda assim, os valores permaneceram acima da média em diversas áreas.

Nos polos, os dados chamaram ainda mais atenção. A Antártida teve o ano mais quente já registrado, enquanto o Ártico viveu o segundo ano mais quente da série, com perdas significativas de gelo marinho. Em fevereiro, a extensão combinada do gelo do Ártico e da Antártida atingiu o menor nível desde o início das observações por satélite, no fim dos anos 1970.

Europa também bateu recordes

Na Europa, 2025 foi igualmente o terceiro ano mais quente da história. A temperatura média no continente chegou a 10,41 °C, cerca de 1,17 °C acima da média de 1991–2020. Março se destacou como o mês mais quente do ano, com um desvio de 2,41 °C acima da média histórica.

Emissões humanas no centro do problema

De acordo com o Copernicus, o calor extremo dos últimos anos é explicado principalmente por dois fatores:

  • o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa, resultantes da atividade humana;
  • e as temperaturas recordes dos oceanos, influenciadas por fenômenos como o El Niño e por outras variações naturais.

“Os dados atmosféricos de 2025 deixam claro que a atividade humana continua sendo o principal motor das temperaturas extremas observadas”, afirmou Laurence Rouil, diretor do Serviço de Monitoramento Atmosférico do Copernicus.

O relatório aponta que metade das áreas terrestres do planeta registrou, em 2025, mais dias do que a média com estresse térmico intenso. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o calor extremo já é a principal causa de mortes relacionadas ao clima.

As altas temperaturas, somadas a períodos de seca e ventos fortes, favoreceram incêndios florestais de grande escala, especialmente na Europa, que teve as maiores emissões anuais por queimadas já observadas. O ano também foi marcado por ondas de calor recordes, tempestades severas e outros eventos extremos na Europa, Ásia e América do Norte.

“O fato de os últimos 11 anos serem os mais quentes já registrados deixa clara a trajetória rumo a um clima cada vez mais quente. O desafio agora é como lidar com esse excesso inevitável e com seus impactos sobre a sociedade e os ecossistemas”, concluiu Carlo Buontempo, diretor do serviço climático do Copernicus.

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