O cantor João Gomes chamou a atenção nesta semana ao desabafar sobre a dificuldade que enfrentou para construir sua casa no condomínio de luxo Alphaville, em Pernambuco. Em entrevista ao Podcast Prosa Sertanejo, o artista contou que os arquitetos se recusaram a executar o projeto que ele idealizou, que aposta em um conceito rústico e estética inspirada no universo do serão, e optaram por modelos de casas mais “modernos”.
“Comprei terreno, e na hora de fazer a casa não deu certo. Porque as casas que eu achava bonito era a de sertão, era aqueles casarão grandões, de alpendre, e ninguém queria fazer essas casa no condomínio de Alphaville, só queriam fazem as casas quadradas. Ninguém estava sabendo fazer a casa do jeito que eu quero. Tive que pagar a arquiteta, e o terreno está lá até agora”, lamentou João que, após frustração, decidiu se mudar para outra área da cidade ao lado da esposa, Ary Mirelle, e os filhos, Jorge e Joaquim.
O desabafo gerou grande repercussão, especialmente entre profissionais da arquitetura, que defendem que viver em ambientes que refletem sua identidade contribui para criar memórias afetivas e fortalecer o senso de pertencimento. Por outro lado, estar em um espaço que não representa a sua essência pode aumentar os níveis de ansiedade, estresse e sensação de desconexão.
“Nossa identidade arquitetônica é tão plural: está no nosso sangue, no nosso clima, nas nossas cores. Estamos perdendo a oportunidade de trazer a verdade brasileira para dentro das casas. Arquitetura é para causar emoção. Fazer se sentir vivo (…) Sinto falta, por exemplo, de soluções como cobogós, varandas generosas, arcos, alpendres, pé-direito que respira e do uso de materiais que carregam história: madeira, pedra natural, cerâmica, ladrilho hidráulico, palha, texturas que conversam com o clima e com o toque. Esses elementos não são apenas estéticos; eles criam conforto, pertencimento e uma relação afetiva com o espaço”, defendeu a arquiteta pernambucana Cecília Lemos, em entrevista a Vogue.