A recente atualização do Guia Michelin colocou São Paulo no topo da gastronomia mundial. Pela primeira vez na história da edição brasileira e na América Latina, dois restaurantes atingiram a pontuação máxima de três estrelas: o Tuju e o Evvai. Mas, para além do prestígio técnico, a pergunta que circula entre entusiastas e curiosos é pragmática: quanto custa viver essa experiência?
Localizado no Jardim Paulistano, o Tuju, comandado pelo chef Ivan Ralston, consolidou sua posição com uma proposta estritamente sazonal. O restaurante não trabalha com pratos à la carte, focando exclusivamente em menus degustação que refletem as condições climáticas de São Paulo. Atualmente, o investimento para jantar no Tuju varia entre R$ 1.250 e R$ 1.450 por pessoa. Esse valor refere-se apenas ao menu base (como as sequências “Ventania” ou “Umidade”). Ao incluir a taxa de serviço de 15%, o valor inicial salta para aproximadamente R$ 1.483,50, sem considerar bebidas ou harmonizações com vinhos, que podem dobrar o valor final da conta.

Ivan Ralston e a esposa e sócia Katherina Cordás | Foto: Divulgação/Tuju
Em Pinheiros, o chef Luiz Filipe Souza apresenta no Evvai a “cozinha Oriundi”, que explora o intercâmbio cultural entre imigrantes italianos e ingredientes brasileiros. O restaurante oferece diferentes níveis de imersão. O menu completo (Oriundi), composto por 13 etapas, é comercializado por cerca de R$ 1.150. Para quem busca uma introdução à casa, existem versões reduzidas a partir de R$ 895. No entanto, a experiência no Evvai é frequentemente acompanhada pela harmonização de vinhos, que vai de R$ 619 (Sintonia) a R$ 2.113 (Magna), e opcionais de luxo, como Caviar Oscietra ou queijos artesanais, que adicionam cerca de R$ 400 ao pedido.

Luiz Filipe Souza, do Evvai | Foto: Keiny Andrade
Completando o panorama da alta gastronomia nacional, os estabelecimentos com duas estrelas Michelin mantêm patamares de preços elevados, refletindo excelência técnica e exclusividade parecidas. Em São Paulo, o D.O.M. de Alex Atala apresenta menus que variam de R$ 1.100 a R$ 1.660, consolidando-se como um dos investimentos mais altos da capital paulista. Já no Rio de Janeiro, o cenário divide-se entre a ultra-exclusividade do Lasai, que cobra cerca de R$ 1.380 por sua experiência intimista no balcão, e a versatilidade do Oro, de Felipe Bronze, que oferece a opção mais competitiva do grupo, com menus que partem de R$ 790 e podem chegar a R$ 890.
Com a nova chancela do Guia Michelin, a procura por reservas, que já era alta, deve disparar, inclusive por turistas. Especialistas do setor indicam que, embora os valores sejam elevados, eles refletem o custo de operação de cozinhas que mantêm brigadas numerosas, ingredientes de produtores exclusivos e pesquisas constantes.