Indumentária de Mãe Bernadete passa a integrar acervo do Museu Nacional após doação do filho da ialorixá

Indumentária de Mãe Bernadete passa a integrar acervo do Museu Nacional após doação do filho da ialorixá

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Heider Sacramento

Felipe Cohen/Projeto Museu Nacional Vive

Publicado em 01/11/2026 às 15:37

A memória de Mãe Bernadete, líder quilombola assassinada em 2023 na Bahia, ganhou um novo espaço de preservação no Brasil. Um vestido branco com detalhes em azul, que pertenceu à ialorixá, passou a integrar o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A doação foi feita por seu filho, Jurandy Pacífico dos Santos, durante um encontro dedicado à valorização das memórias e dos patrimônios quilombolas.

A entrega ocorreu na 3ª edição do Diálogos da Reconstrução, realizada nesta semana na instituição, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa reuniu lideranças de diferentes comunidades para discutir a preservação de saberes, histórias e práticas tradicionais.

Para Jurandy, que também atua como gestor cultural e liderança do Quilombo Pitanga de Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, a peça representa muito mais do que uma roupa. “Aquilo não se trata de um objeto. Se trata além disso. Se trata de ancestralidade”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

O filho da ialorixá destacou que a mãe dedicou 72 anos de vida à defesa dos direitos humanos, dos quilombos e dos territórios tradicionais. Segundo ele, a presença do vestido no museu ajuda a manter viva a trajetória de uma mulher negra que se tornou símbolo de resistência para sua comunidade.

A indumentária também passa a representar a história coletiva dos povos quilombolas. Para Jurandy, a doação permite que pesquisadores, visitantes e futuras gerações tenham contato com a identidade, os conhecimentos ancestrais e a luta dessas populações.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, dentro de casa, no Quilombo Pitanga de Palmares, em Simões Filho. Na ocasião, ela estava com os netos quando homens armados invadiram a residência e dispararam 25 vezes. A liderança estava incluída no programa de proteção desde 2017, ano em que seu filho, Binho do Quilombo, também foi assassinado.

Com a incorporação da peça ao acervo, o Museu Nacional amplia o espaço dedicado às narrativas quilombolas e à preservação de patrimônios que ajudam a contar a história e a resistência da população negra no país.

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