André Janones revela bastidores da criação do grupo “Exército do Lula” durante as eleições

André Janones revela bastidores da criação do grupo “Exército do Lula” durante as eleições

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Ricardo Stuckert

Publicado em 26/10/2026 às 14:00

A disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais foi marcada por uma intensa mobilização nas redes sociais. Em entrevista ao Estúdio i, comandado por Andreia Sadi, o deputado federal André Janones contou os bastidores da criação do canal “Exército do Lula”, grupo que começou pequeno e ganhou milhões de integrantes durante a reta final da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Janones, a iniciativa surgiu ainda em abril, quando ele criou um grupo restrito para reunir apoiadores e pessoas próximas a Lula. A estrutura começou com algumas centenas de participantes, mas ganhou uma nova dimensão à medida que a campanha avançou.

A estratégia passou a ser ampliada especialmente durante a disputa pelo segundo turno. Janones adotou uma linguagem de mobilização para estimular a participação dos apoiadores e passou a chamar os integrantes do grupo de “soldados”.

“Como a gente está numa guerra, vamos encarar como uma guerra… Todo mundo que entrar lá vai ser soldado”, explicou.

O crescimento foi acelerado após o primeiro turno. Ao fim da primeira etapa da eleição, o canal reunia cerca de 53 mil pessoas. No dia seguinte à votação, Janones estabeleceu uma meta de chegar a 500 mil integrantes até 12 de outubro. A marca, no entanto, foi alcançada antes do prazo previsto, à meia-noite do mesmo dia.

Na sequência, o deputado dobrou o objetivo para 1 milhão de participantes. Segundo ele, a nova meta foi atingida em apenas 12 horas. O canal continuou crescendo até chegar à marca de 3 milhões de inscritos, quando, de acordo com Janones, passou a iniciar efetivamente suas atividades.

Janones critica estratégia digital da campanha

Durante a entrevista, o deputado também fez uma avaliação sobre a comunicação da campanha de Lula e afirmou que o grupo político demorou a perceber o peso das redes sociais na disputa eleitoral.

“Eu acho que nunca levou muito a sério a comunicação nas redes sociais. Eu acho que eles demoraram a entender que as eleições se passam pelas redes”, afirmou.

Para Janones, a comunicação política atual não pode mais separar televisão, portais de notícias e redes sociais. Na avaliação dele, os diferentes meios funcionam de maneira integrada, com conteúdos que circulam entre as plataformas e influenciam o debate público.

“A TV aberta, a TV por assinatura, vocês pautam as redes, as redes pautam vocês… A gente já fez essa revolução no digital”, declarou.

Segundo turno teve forte disputa nas redes

A mobilização digital ganhou ainda mais importância no segundo turno, quando a eleição presidencial ficou concentrada na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com uma diferença menor de votos em relação ao primeiro turno, as campanhas intensificaram a busca por eleitores indecisos e ampliaram a produção de conteúdo para redes sociais e aplicativos de mensagens.

Nesse cenário, grupos de apoiadores passaram a desempenhar um papel estratégico na circulação de vídeos, mensagens e materiais de campanha. O “Exército do Lula” surgiu justamente dentro dessa lógica de mobilização em larga escala, transformando um grupo inicialmente restrito em uma estrutura com milhões de participantes.

Para Janones, o crescimento do canal, que às vésperas do segundo turno ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores, mostrou como a comunicação política mudou e como a mobilização espontânea ou organizada de apoiadores pode alcançar uma dimensão que ultrapassa os meios tradicionais de campanha.

A experiência também reforçou uma tendência que ganhou força nas eleições brasileiras: a disputa pelo voto acontece não apenas no horário eleitoral e nos grandes veículos de comunicação, mas também em grupos, canais e comunidades digitais, onde mensagens podem alcançar milhares de pessoas em poucos minutos.

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