O Serra Dourada está passando pela maior transformação desde sua inauguração, em 1975. No lugar onde durante décadas esteve o gramado, uma grande área foi escavada e agora concentra máquinas pesadas que trabalham na construção da nova estrutura do estádio, em Goiânia.
A reforma avançou nesta semana para a etapa de fundação da nova arquibancada inferior e de um setor de camarotes. As estruturas estão sendo construídas onde ficava a antiga Geral, já demolida. A obra é conduzida pela Construcap, responsável pela administração do complexo por meio de uma concessão de 35 anos. Nesta primeira etapa, estão previstos cerca de R$ 400 milhões em investimentos privados.
Os trabalhos começaram em julho e a previsão é que o estádio seja reaberto em julho de 2028. Enquanto a área central passa por uma intervenção profunda, outras partes do complexo também estão sendo remodeladas. Bares e banheiros dos anéis internos já chegaram à fase de acabamento, enquanto os prédios das áreas Norte e Sul passam por obras para receber restaurantes, academia e escritórios.
O projeto não se limita ao estádio de futebol. O Goiânia Arena, que integra o mesmo complexo, também recebe intervenções para melhorar a circulação do público e facilitar a instalação de estruturas para eventos. No túnel sudoeste, está sendo criada uma passagem exclusiva para veículos pesados, medida que deve tornar mais rápida a montagem e a retirada de palcos utilizados em grandes shows.
Segundo a concessionária, o cronograma segue dentro do previsto e as obras não devem interromper a realização de shows, o funcionamento do ginásio ou a utilização do estacionamento.
Como ficará o novo Serra Dourada
Uma das principais alterações será feita no próprio campo. O gramado continuará sendo natural, mas será rebaixado em aproximadamente 1,5 metro para permitir a construção da nova arquibancada inferior. O projeto também prevê 23 camarotes fixos no nível do campo, posicionados a poucos metros dos jogadores e dos bancos de reservas.
A inspiração para esse modelo vem das arenas da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos. A proposta é aproximar o público da ação e modificar a experiência de quem acompanha os jogos no estádio.

O complexo também deverá receber novos bares, uma academia e um hotel. A capacidade projetada ficará entre 42 mil e 44 mil torcedores, dependendo dos laudos de segurança, segundo Samuel Lloyd, diretor comercial do complexo.
Do lado externo, a mudança também será significativa. Áreas atualmente ocupadas por asfalto devem dar lugar a um Parque Poliesportivo de 16 mil metros quadrados e a um parque linear, com espaços destinados à corrida e ao ciclismo.
Apesar da transformação estrutural, a proposta prevê preservar a arquitetura brutalista original do Serra Dourada, projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. A intenção é modernizar o complexo sem apagar as características que fazem parte da identidade histórica do estádio.