Descoberta choca cientistas que estudam crianças que alegam ter vidas passadas

Descoberta choca cientistas que estudam crianças que alegam ter vidas passadas

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 23/10/2026 às 18:03

Uma pesquisa conduzida pela Divisão de Estudos Perceptivos da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, voltou a investigar um dos temas mais controversos relacionados ao sobrenatural: crianças pequenas que afirmam se lembrar de uma vida anterior. O grupo mantém um banco de dados com mais de 1.600 casos em que crianças relatam espontaneamente informações que parecem corresponder à trajetória de pessoas que morreram.

O novo estudo concentrou-se principalmente no intervalo entre a morte da pessoa identificada nos relatos e o momento em que a criança teria começado a apresentar as supostas lembranças. A análise de mais de seis décadas de registros levou os pesquisadores a apontar a existência de um padrão temporal que, segundo eles, ainda não possui uma explicação definida.

Um dos casos reunidos pela universidade envolve James, um menino da Louisiana que começou a apresentar pesadelos relacionados a um acidente aéreo. Aos 3 anos, ele dizia ter sido um piloto durante a Segunda Guerra Mundial e afirmava ter voado em um avião de caça lançado de um porta-aviões chamado Natoma Bay. A criança também mencionou o nome de outro piloto, Jack Larsen.

Os pesquisadores compararam as declarações com a história de James Huston Jr., piloto que morreu depois de ser abatido sobre o Pacífico em 1945. O caso chamou atenção pela quantidade de informações específicas apresentadas pela criança.

Outro relato analisado é o de Ryan, que tinha 4 anos quando viu uma fotografia promocional de Hollywood produzida na década de 1930. Ao apontar para uma das pessoas na imagem, afirmou: “Sou eu”. Posteriormente, segundo os pesquisadores, ele apresentou 55 informações sobre a vida do agente de Hollywood Marty Martyn que puderam ser verificadas, incluindo o nome da rua onde ele morava, a quantidade de irmãs e sua comida favorita.

O intervalo entre a morte e a suposta reencarnação

Na análise dos casos que possuíam informações temporais consideradas utilizáveis, os pesquisadores encontraram 1.319 registros. O intervalo mediano entre a morte da pessoa e a suposta vida seguinte foi de 16 meses. O período mais longo identificado no banco de dados, porém, chegou a 150 anos.

A equipe também observou uma diferença relacionada à forma como a morte ocorreu. Nos casos em que a pessoa morreu de maneira repentina, seja por acidente, violência ou uma crise médica, o intervalo mediano caiu para 12 meses. Quando a morte era considerada antecipada, o período chegou a 21 meses.

“Este é o maior estudo sistemático até o momento sobre padrões temporais em relatos de memórias de vidas passadas. Casos individuais podem dar margem a diferentes interpretações, mas padrões em muitos casos são muito mais difíceis de explicar como exagero, fantasia ou invenção”, afirmou Saeedeh Sadeghi, responsável pelo estudo.

Os dados também mostraram que as mortes não naturais representam 57% dos casos registrados. Considerando todas as situações, 68% das mortes foram classificadas como inesperadas. Entre as pessoas que teriam sido identificadas pelas crianças, a idade média no momento da morte era de 30 anos.

Para Philip Cozzolino, pesquisador da Universidade da Virgínia, o padrão permaneceu mesmo depois da consideração de diferentes fatores culturais e psicológicos. Segundo ele, o efeito foi ainda mais forte em famílias cujas tradições religiosas não defendiam a ideia de reencarnação.

A equipe, no entanto, não apresenta os resultados como uma comprovação de que a reencarnação exista. Sadeghi ressalta que os dados são observacionais e que os pesquisadores procuram manter uma posição agnóstica em relação ao mecanismo por trás dos relatos.

“Será isso uma evidência de algo metafísico? Os dados são observacionais e temos o cuidado de nos mantermos agnósticos quanto ao mecanismo”, afirmou a pesquisadora.

Segundo Sadeghi, a principal conclusão possível neste momento é que o padrão identificado aparece nos dados e não é facilmente explicado pelos fatores culturais e psicológicos analisados. Para ela, o resultado serve principalmente como incentivo para que novas pesquisas investiguem o fenômeno.

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