Primeiro exame de sangue para detectar sinais do Alzheimer com registro na Anvisa chega ao Brasil

Primeiro exame de sangue para detectar sinais do Alzheimer com registro na Anvisa chega ao Brasil

Redação Alô Alô Bahia

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Divulgação

Publicado em 16/10/2026 às 21:26

Teste já está disponível em hospital de Porto Alegre, custa cerca de R$ 3 mil e pode reduzir a necessidade de exames mais invasivos

O Brasil passou a contar, desde quinta-feira (15), com o primeiro exame de sangue para identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O teste começou a ser oferecido no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), e representa um avanço na investigação da doença.

O exame mede os níveis da proteína p-tau217, um biomarcador presente no sangue que está associado ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características biológicas do Alzheimer.

A tecnologia pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos, como a punção lombar, utilizada para analisar o líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, além de exames de imagem especializados.

O teste custa aproximadamente R$ 3 mil na rede privada e é indicado exclusivamente para pacientes que já apresentam sintomas cognitivos e suspeita clínica de Alzheimer. Ele não é recomendado como exame de rotina para pessoas sem sintomas.

Apesar do avanço, especialistas ressaltam que um resultado positivo não confirma, isoladamente, o diagnóstico de demência causada pelo Alzheimer. A interpretação deve ser feita por um médico, considerando os sintomas, a avaliação clínica e, quando necessário, outros exames.

O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo. Segundo Eduardo Zimmer, responsável pela implementação do exame no Hospital Moinhos de Vento, entre 15% e 20% dos pacientes podem apresentar resultados intermediários, exigindo investigação complementar.

Estudo aponta precisão superior a 90%

A tecnologia utilizada, chamada Lumipulse, da fabricante Fujirebio, foi avaliada em um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com a participação de 1.767 pacientes da Suécia, Espanha e Itália.

Na pesquisa, os resultados do exame de sangue apresentaram concordância de até 94% com os obtidos por meio da análise do líquor, dependendo dos critérios adotados.

Embora seja o primeiro teste sanguíneo de p-tau217 com registro na Anvisa, outras iniciativas já oferecem análises desse biomarcador no Brasil. Uma delas é realizada pelo laboratório Richet, em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), ao custo aproximado de R$ 1,8 mil, enquanto tramita seu processo de aprovação formal para comercialização.

Disponibilidade no SUS

Por enquanto, não há previsão para que o novo exame seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia ainda não foi submetida à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), etapa necessária para uma eventual inclusão na rede pública.

 

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