A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou um pacote de medidas para as escolas públicas do país que prevê restrições à aparência dos estudantes, proibição do uso de celulares e retomada de punições disciplinares. As regras devem alcançar cerca de 6,7 milhões de alunos, mas ainda não foram oficializadas.
A proposta foi apresentada na segunda-feira (12), durante visita a uma escola em Chaclacayo, nos arredores de Lima, capital peruana.
“Os garotos devem vir de cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem”, afirmou a presidente. As restrições também incluem unhas pintadas. O ministro da Educação, José Antonio Chang, acrescentou que haverá exigências relacionadas ao comprimento das saias dos uniformes escolares.
O Ministério da Educação abriu um prazo de 15 dias para receber manifestações da sociedade antes de formalizar as normas. As escolas privadas continuarão seguindo seus próprios regulamentos.
Notas de conduta e punições
O governo também pretende retomar as notas de conduta, abolidas em 2019, e permitir a expulsão de estudantes em casos considerados graves, como agressões físicas e uso indevido de celulares.
Os alunos afastados permanentemente das escolas deverão continuar os estudos em um modelo híbrido, com aulas virtuais e atendimento presencial.
“Os mais malcriados não estarão nas salas de aula”, declarou Keiko Fujimori, que defendeu o endurecimento das regras durante a campanha eleitoral.
Oposição critica proposta
A senadora de oposição Ruth Luque criticou as medidas e cobrou investimentos na educação. “Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?”, questionou.
As propostas se aproximam de regras adotadas em El Salvador, onde escolas fiscalizam uniformes e cortes de cabelo. Keiko tem uma visita prevista ao presidente salvadorenho, Nayib Bukele, para o fim de outubro. Durante a campanha, ela citou o líder como inspiração para políticas de combate à criminalidade.