Casal aposta em tecnologia para produzir três safras de melão por ano no semiárido baiano

Casal aposta em tecnologia para produzir três safras de melão por ano no semiárido baiano

Redação Alô Alô Bahia

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Redação Alô Alô Bahia

Fernanda Walentina / Globo Rural

Publicado em 14/10/2026 às 12:43

No semiárido da Bahia, um casal de empreendedores transformou o cultivo de melão em um negócio que combina tecnologia, pesquisa e sustentabilidade. À frente da Sweet Valley, em Juazeiro, Marcos Aurélio Garaffa e Fran Terto apostam em técnicas de produção que permitem realizar três safras da fruta por ano, com foco no uso eficiente da água e dos recursos naturais. As informações são da Globo Rural.

Juntos há 11 anos, os dois dividem não apenas a vida pessoal, mas também a gestão da propriedade. “A gente nasceu para fazer isso juntos. A Sweet Valley é como um filho nosso”, conta Fran, que é engenheira agrônoma.

A fazenda possui 34 hectares de área produtiva, sendo 16 destinados ao cultivo de melão e outros dez à manga. A produção abastece principalmente mercados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco.

A história do negócio começou entre 2009 e 2010, quando a propriedade foi adquirida. Inicialmente, a aposta foi no cultivo de banana, mas os resultados não corresponderam às expectativas. Em 2019, o casal decidiu investir no melão, uma cultura de ciclo mais curto, de aproximadamente 60 dias.

O primeiro plantio aconteceu em setembro daquele ano. Três meses depois, nasceu a Sweet Valley, marca criada para comercializar a produção.

Tecnologia e sustentabilidade

Um dos principais diferenciais da propriedade está no uso da tecnologia para otimizar a produção. A irrigação é calculada diariamente de acordo com as condições climáticas e o estágio de desenvolvimento das plantas, permitindo reduzir o desperdício de água e evitar problemas associados ao excesso de umidade.

O solo também passa por análises periódicas, enquanto o controle de pragas é realizado com monitoramento a cada dois dias. A fazenda produz ainda parte dos próprios bioinsumos, estratégia que ajudou a reduzir custos durante períodos de condições climáticas desfavoráveis.

Segundo Fran, a produção própria de um desses insumos permitiu diminuir o custo de R$ 0,32 para R$ 0,17 por litro.

A propriedade mantém 17,61 hectares de reserva legal, além de uma área de preservação permanente. Frutas que não atendem ao padrão comercial são destinadas à alimentação animal, enquanto embalagens de defensivos agrícolas seguem para sistemas de devolução.

O investimento em tecnologia também trouxe mudanças para os trabalhadores. A automação da irrigação reduziu deslocamentos pela propriedade e a exposição prolongada ao sol. A equipe participa de treinamentos técnicos e de segurança, além de cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

A Sweet Valley também promove visitas técnicas e atividades com moradores de comunidades próximas, como São Gonçalo e Correnteza.

Produção de baixo carbono

Em 2026, a propriedade recebeu o Selo Carbono Consciente, reconhecimento relacionado ao acompanhamento das emissões de gases de efeito estufa na produção.

“A partir do inventário de gases de efeito estufa, conseguimos mensurar nossas emissões, entender onde estavam os principais impactos da produção e identificar oportunidades de redução”, explica Fran.

A meta dos produtores é reduzir as emissões em aproximadamente 35% até o fim de 2026 e 85% até o fim de 2027, por meio da substituição de fertilizantes por alternativas de menor impacto.

Com a iniciativa, o casal busca consolidar a Sweet Valley como referência na produção de melão de baixo carbono no semiárido nordestino.

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