Quando uma criança negra se reconhece na passarela, a moda ganha um significado que vai além das roupas: torna-se espaço de pertencimento, autoestima e valorização da própria história. É a partir dessa proposta que o projeto Infâncias Negras em Movimento – Desfile Infantil Negrif realiza sua 15ª edição no próximo sábado (10), às 14h, na Biblioteca Central dos Barris, em Salvador. A celebração acontece no mesmo ano em que a marca baiana Negrif completa 25 anos de trajetória na moda autoral.
Idealizada pela designer e empresária Madalena Silva, a iniciativa surgiu há 15 anos para promover um espaço onde memórias são fortalecidas, referências são construídas e novos aprendizados são compartilhados com as próximas gerações. Ao longo desse percurso, centenas de crianças e familiares participaram de uma experiência que aproxima moda, cultura e ancestralidade.

Divulgação/Negrif
Para Madalena Silva, o maior legado do projeto está nas referências que ele ajuda a construir desde a infância. “Há quinze anos entendemos que autoestima também se constrói pelas referências que uma criança encontra. É isso que seguimos cultivando: a certeza de que nossas infâncias podem ocupar qualquer espaço sem abrir mão de quem são”, afirma.
A edição de 2026 também terá uma ação solidária. A entrada será mediante a doação de um brinquedo, que será destinado às crianças da comunidade quilombola de São Bráz, no Recôncavo Baiano.

Divulgação/Negrif
Literatura e teatro
Após o desfile, a programação segue com literatura e artes cênicas. A atriz e diretora do Bando de Teatro Olodum Cássia Valle apresenta o espetáculo-instalação A Mala Brincante, que convida o público a mergulhar em histórias, personagens e memórias, aproximando a imaginação e o brincar da valorização da cultura negra.
Na sequência, acontece o lançamento do livro Maga, Pérola Sonora, escrito por Cássia em parceria com a atriz e museóloga Luciana Palmeira, seguido de uma sessão de autógrafos.

Fotos: Anderson Almeida