O percentual de famílias brasileiras endividadas caiu pela primeira vez neste ano, passando de 82% em agosto para 81,7% em setembro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador inclui compromissos como cartão de crédito, empréstimos e financiamentos, mesmo quando os pagamentos estão em dia.
A inadimplência, que considera as famílias com contas em atraso, também recuou: passou de 29,9% para 29,6%, o menor patamar desde março. Já a parcela que afirma não ter condições de quitar os débitos vencidos permaneceu em 12,5%, interrompendo dois meses consecutivos de alta.
O alívio foi puxado pelas famílias de menor renda. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, o endividamento caiu de 85,1% para 84,6%. Na faixa de cinco a dez salários mínimos, porém, houve aumento de 77,2% para 77,9%. Entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, a inadimplência subiu ligeiramente, de 14,9% para 15%.
Apesar da redução nos indicadores gerais, os atrasos ficaram mais longos. O tempo médio de contas vencidas chegou a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024. As dívidas com mais de 90 dias de atraso representam 48,9% do total de contas vencidas, mostrando que parte das famílias ainda enfrenta dificuldades para regularizar o orçamento.
Em média, o pagamento de dívidas compromete 29,6% da renda familiar. Para 19,4% das famílias, esses compromissos consomem mais da metade dos rendimentos mensais. Os números integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela CNC.