Um antigo shopping na China encontrou nas transmissões ao vivo uma nova forma de funcionamento. O X27, em Qiaosi, reúne 350 lojas distribuídas por 260 mil metros quadrados e pode receber até 350 transmissões simultâneas. No lugar do fluxo constante de consumidores, são as câmeras que movimentam boa parte dos negócios, enquanto as compras são realizadas pelas plataformas de vídeo ao vivo.
O empreendimento foi criado originalmente para funcionar como um shopping tradicional. Em dezembro de 2010, a incorporadora Zhejiang Zhongyou Industrial comprou o terreno e planejou entregar o projeto em 2014. A empresa ficou sem recursos antes da conclusão das obras, e o prédio permaneceu inacabado por anos. Em 2016, compradores protestaram contra o abandono e, três anos depois, a incorporadora entrou em colapso com quase 3 mil credores. O imóvel acabou sob gestão de uma empresa estatal.
A transformação começou em 2022, quando a Yaowang firmou uma parceria com o comitê de desenvolvimento local para instalar no espaço uma estrutura voltada ao comércio. O projeto resultou no X27, inaugurado em dezembro de 2023 como um parque de live commerce especializado em roupas. Os vendedores continuam permitindo que os clientes experimentem os produtos presencialmente, mas a compra é feita exclusivamente pela plataforma de transmissão.
A proposta era fazer com que cada loja alcançasse consumidores a milhares de quilômetros de distância. A Yaowang chegou a estimar que cada metro quadrado do X27 poderia vender entre dez e cem vezes mais do que um shopping convencional, já que as câmeras permitiriam ampliar o público sem depender do movimento físico do estabelecimento. A expectativa, porém, não se confirmou completamente. A empresa encerrou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo operacional, enquanto o X27 apareceu apenas pontualmente em seu relatório anual.
O modelo passou a ser observado também pelo mercado brasileiro de shopping centers. No país, o live commerce ganhou espaço após a chegada do TikTok Shop, em maio de 2025. Projeções do BTG Pactual apontam que a plataforma pode movimentar cerca de R$ 20 bilhões no Brasil em 2026. A experiência do X27 apresenta uma possibilidade para empreendimentos que enfrentam perda de fluxo: transformar lojas em estúdios de transmissão e aproximar comércio e entretenimento sem necessariamente eliminar as compras presenciais.