A Brazilian Rare Earths (BRE) identificou uma nova área de mineralização de terras raras de alto teor no projeto Sulista, na Bahia. Os resultados da primeira campanha de sondagem em Sulista South apontaram mineralização ao longo de aproximadamente 500 metros, com teores de até 13,3% de óxidos totais de terras raras (TREO). A nova área fica cerca de 800 metros ao sul do depósito Sulista East, que já conta com uma estimativa formal de recursos minerais.
Os resultados incluem um intervalo de 6,8 metros com teor médio de 4,7% de TREO, dentro do qual foram registrados 4,1 metros a 6%. Outro intervalo apresentou 9 metros com teor de 4,6%. Em um segundo furo, a companhia encontrou 5,5 metros com média de 4,3% de TREO, incluindo um trecho de um metro com teor de 13,3%. Esse percentual mais elevado corresponde, portanto, a um intervalo específico da sondagem e não representa o teor médio de toda a nova área.
Na primeira etapa dos trabalhos em Sulista South, foram realizados 13 furos, que somaram 1.674 metros de perfuração. Até a divulgação dos resultados, a empresa havia recebido análises laboratoriais de oito furos, enquanto cinco ainda aguardavam os resultados. A área Sulista East possui atualmente 8,2 milhões de toneladas em recursos minerais, sendo 2,1 milhões de toneladas classificadas como indicadas, com teor médio de 2,6% de TREO, e 6,1 milhões de toneladas inferidas, com teor médio de 2%. Os resultados obtidos em Sulista South ainda não foram incorporados a essa estimativa, que a companhia pretende atualizar até o fim de 2026.
Para ampliar o conhecimento sobre a área, a BRE planeja realizar mais 2 mil metros de perfuração em Sulista South e avançar com uma campanha de mais de 10 mil metros no corredor que ainda não foi testado. Em Sulista East, estão previstos outros 5 mil metros de sondagens, com o objetivo de elevar a confiança geológica dos recursos e converter uma parcela relevante do volume inferido para a categoria indicada.
A Brazilian Rare Earths, mineradora australiana listada na bolsa de Sydney, concentra seus ativos na Bahia. Seu principal projeto é Monte Alto, também localizado na província mineral Rocha da Rocha. O empreendimento possui atualmente 3,4 milhões de toneladas de mineralização primária e residual, com teor médio de aproximadamente 11,3% de TREO, e serve de base para o estudo econômico de uma operação integrada entre a mina e uma futura unidade de processamento em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Sulista não foi considerado nesse estudo econômico, mas a companhia avalia a possibilidade de o projeto se tornar uma fonte adicional de minério de alto teor para o mesmo polo, dependendo da expansão dos recursos e da realização de novos estudos técnicos. A estratégia da BRE inclui processar e separar parte das terras raras no Brasil, em vez de se limitar à produção de concentrado. Neste mês, a empresa colocou em operação a primeira etapa de uma planta-piloto em Camaçari e prevê iniciar a segunda fase no segundo trimestre de 2027, com foco em hidrometalurgia e separação. A estrutura deverá produzir óxido separado de neodímio e praseodímio (NdPr), usado principalmente em ímãs permanentes, além de concentrado de terras raras pesadas com elementos como disprósio, térbio, gadolínio, samário e ítrio. A rota também prevê a recuperação de urânio como coproduto.