O uso de medicamentos para emagrecimento costuma vir acompanhado de dúvidas sobre os efeitos no organismo. Uma delas é a relação entre as chamadas canetas emagrecedoras e a queda de cabelo.
Segundo o médico Wesley Bernardo da Silva, pós-graduado em tricologia e transplante capilar, o medicamento não costuma provocar a queda diretamente. O que pode afetar os fios é, principalmente, o emagrecimento acelerado associado ao tratamento.
Nesses casos, pode ocorrer o chamado eflúvio telógeno, uma condição temporária em que uma quantidade maior de fios entra na fase de queda. O processo pode estar relacionado ao estresse metabólico provocado pela perda rápida de peso e também à redução da ingestão de nutrientes importantes.
“Quando a pessoa perde muito peso em pouco tempo, o organismo pode entender esse processo como uma situação de estresse. A redução da ingestão alimentar também pode levar à deficiência de proteínas, ferro, zinco, vitaminas e outros nutrientes importantes para a formação e manutenção dos fios”, explica o especialista.
A queda, inclusive, nem sempre aparece logo no início do emagrecimento. De acordo com Wesley, alterações hormonais e metabólicas podem fazer com que os fios comecem a cair semanas ou até meses depois de uma perda significativa de peso. “Não estamos diante de uma queda provocada diretamente pela caneta, mas de uma resposta do organismo à perda de peso rápida”, afirma.
Na maioria dos casos, o quadro é temporário. No entanto, queda intensa ou prolongada merece avaliação médica, principalmente quando vem acompanhada de outros sintomas. Exames podem ajudar a identificar deficiências nutricionais, alterações hormonais ou outras causas para a perda dos fios.
O acompanhamento com endocrinologista, nutricionista e especialista em saúde capilar pode ajudar a tornar o processo de emagrecimento mais seguro e preservar a saúde dos cabelos.