Jorge Paulo Lemann aparece como o terceiro brasileiro mais rico, com patrimônio estimado em R$ 103,5 bilhões. O valor considera o fechamento das ações no pregão de 30 de junho de 2026. No ranking nacional, ele fica atrás de Eduardo Saverin, com R$ 162,9 bilhões, e de Vicky Safra e família, com R$ 130,6 bilhões. As informações foram publicadas pelo portal ABCMais.
Antes de construir sua trajetória no mercado financeiro, Lemann teve uma carreira no tênis. Nascido no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1939, ele conquistou o título brasileiro juvenil aos 17 anos e posteriormente venceu outras cinco vezes a categoria principal. O empresário também disputou a Copa Davis por Brasil e Suíça. Seu pai era suíço e havia se estabelecido no país no início do século 20, onde criou uma fábrica de laticínios em Resende. A empresa foi vendida ao Credit Suisse em 1998, depois de um período de resultados fracos.
A sociedade com Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira começou na década de 1970 e ganhou projeção nacional em 1982, quando o trio assumiu o controle das Lojas Americanas. A empresa serviu como espaço para a aplicação de um modelo de gestão baseado em metas e redução de custos. A estratégia seria levada posteriormente ao setor de bebidas. Em 1989, o Garantia comprou a Brahma, e a fusão com a Antarctica, em 1998, deu origem à Ambev. Seis anos depois, em 2004, a companhia se uniu à belga Interbrew, formando a Anheuser-Busch InBev, uma das maiores fabricantes de cerveja do mundo.
O desempenho da Ambev na bolsa também teve impacto sobre o patrimônio de Lemann em 2026. Em 5 de maio, as ações da companhia subiram 15,3% após a divulgação do balanço trimestral. Foi o segundo maior avanço registrado pelo papel em um único dia e levou a ação ao maior fechamento desde abril de 2018. Até 30 de junho, a valorização acumulada superava 23%.
A atuação internacional do trio ganhou outro capítulo em 2013, quando Lemann, Telles e Sicupira se associaram a Warren Buffett e à Berkshire Hathaway para adquirir a Heinz. Dois anos depois, a empresa se fundiu com a Kraft em uma operação avaliada em US$ 46 bilhões. A participação da 3G Capital na Kraft Heinz, porém, chegou ao fim em 2023, após nove anos e uma fatia de 16,1%. Em 2025, a Kraft Heinz anunciou que seria dividida em duas empresas, revertendo parte da união realizada em 2015. O processo tem previsão de conclusão no segundo semestre de 2026 e ocorreu em meio à frustração declarada por Buffett com os rumos da separação.
A 3G Capital segue atuando no mercado internacional. O movimento mais recente citado na trajetória do grupo foi a compra da fabricante de calçados Skechers, mantendo a estratégia de participação em grandes negócios fora do Brasil.