A Academia de Ciências da Bahia (ACB) apresentou, na noite desta quinta-feira (24), na Sala dos Conselhos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o documento “Bahia: Ciência como base para três missões de desenvolvimento socioeconômico – 2027–2030”. A proposta reúne subsídios para o debate sobre políticas públicas que poderão orientar o desenvolvimento do estado no próximo ciclo de governo.
Elaborado por uma comissão de pesquisadores da ACB, o documento propõe que conhecimentos científicos e evidências sejam incorporados ao planejamento das políticas públicas. As três missões apresentadas são Saúde Integral e Equitativa; Ambiente, Água e Bioeconomia; e Energia Limpa e Industrialização Verde. Cada uma é estruturada a partir de problemas definidos, populações-alvo, metas, indicadores, linhas de base e estimativas orçamentárias.
Durante o encontro, o presidente da ACB, Manoel Barral Netto, ressaltou que a iniciativa não pretende indicar quais decisões políticas devem ser tomadas pelo próximo governo, mas ampliar a participação da ciência na discussão e na construção das políticas de desenvolvimento. O reitor da UFBA, João Carlos Salles, também destacou a importância de estimular o debate sobre políticas públicas voltadas ao desenvolvimento científico da Bahia.
A primeira missão, Saúde Integral e Equitativa, propõe reduzir desigualdades relacionadas a renda, saneamento, moradia, exposição ambiental e raça ou etnia, com atenção especial aos 100 municípios identificados como de maior privação. A estimativa é alcançar entre 6,9 milhões e 8,5 milhões de beneficiários diretos, com investimentos previstos entre R$ 335 milhões e R$ 495 milhões.
Já a missão Ambiente, Água e Bioeconomia tem como foco ampliar a segurança hídrica no semiárido e criar condições para a geração sustentável de renda a partir da Caatinga e da Mata Atlântica. A proposta estima entre 6 milhões e 9 milhões de beneficiários diretos, com investimentos entre R$ 236 milhões e R$ 344 milhões, além de R$ 120 milhões a R$ 180 milhões destinados à infraestrutura hídrica.
A terceira frente, Energia Limpa e Industrialização Verde, busca ampliar a participação da Bahia em cadeias de maior valor relacionadas à transição energética. A estimativa é de 1,5 milhão a 3 milhões de beneficiários diretos, com investimentos previstos entre R$ 192 milhões e R$ 288 milhões.
No conjunto, as três missões representam uma proposta de investimentos em ciência, tecnologia e inovação entre R$ 786 milhões e R$ 1,161 bilhão ao longo de quatro anos, além dos recursos destinados à infraestrutura hídrica. A ACB defende ainda a integração entre diferentes setores do governo e da academia, com acompanhamento das metas ao longo da execução das políticas.
A proposta também incorpora a redução das desigualdades como eixo transversal, considerando questões de gênero, raça e etnia e as especificidades de povos indígenas e quilombolas. Entre as diretrizes estão a desagregação de dados por raça ou cor, sexo e etnia, a participação de representantes de povos tradicionais em comitês de governança e o monitoramento anual de indicadores de equidade.
Segundo a ACB, o documento foi elaborado para contribuir com o debate público e ser conhecido pelos candidatos ao Governo da Bahia na formulação de seus planos de governo. A entidade ressalta que o texto não se apresenta como programa eleitoral, mas como uma contribuição técnica e científica para a discussão de políticas de Estado no período de 2027 a 2030.