Academia de Ciências da Bahia apresenta propostas para políticas públicas no próximo governo estadual

Academia de Ciências da Bahia apresenta propostas para políticas públicas no próximo governo estadual

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 27/09/2026 às 11:53

A Academia de Ciências da Bahia (ACB) apresentou, na noite desta quinta-feira (24), na Sala dos Conselhos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o documento “Bahia: Ciência como base para três missões de desenvolvimento socioeconômico – 2027–2030”. A proposta reúne subsídios para o debate sobre políticas públicas que poderão orientar o desenvolvimento do estado no próximo ciclo de governo.

Elaborado por uma comissão de pesquisadores da ACB, o documento propõe que conhecimentos científicos e evidências sejam incorporados ao planejamento das políticas públicas. As três missões apresentadas são Saúde Integral e Equitativa; Ambiente, Água e Bioeconomia; e Energia Limpa e Industrialização Verde. Cada uma é estruturada a partir de problemas definidos, populações-alvo, metas, indicadores, linhas de base e estimativas orçamentárias.

Durante o encontro, o presidente da ACB, Manoel Barral Netto, ressaltou que a iniciativa não pretende indicar quais decisões políticas devem ser tomadas pelo próximo governo, mas ampliar a participação da ciência na discussão e na construção das políticas de desenvolvimento. O reitor da UFBA, João Carlos Salles, também destacou a importância de estimular o debate sobre políticas públicas voltadas ao desenvolvimento científico da Bahia.

A primeira missão, Saúde Integral e Equitativa, propõe reduzir desigualdades relacionadas a renda, saneamento, moradia, exposição ambiental e raça ou etnia, com atenção especial aos 100 municípios identificados como de maior privação. A estimativa é alcançar entre 6,9 milhões e 8,5 milhões de beneficiários diretos, com investimentos previstos entre R$ 335 milhões e R$ 495 milhões.

Já a missão Ambiente, Água e Bioeconomia tem como foco ampliar a segurança hídrica no semiárido e criar condições para a geração sustentável de renda a partir da Caatinga e da Mata Atlântica. A proposta estima entre 6 milhões e 9 milhões de beneficiários diretos, com investimentos entre R$ 236 milhões e R$ 344 milhões, além de R$ 120 milhões a R$ 180 milhões destinados à infraestrutura hídrica.

A terceira frente, Energia Limpa e Industrialização Verde, busca ampliar a participação da Bahia em cadeias de maior valor relacionadas à transição energética. A estimativa é de 1,5 milhão a 3 milhões de beneficiários diretos, com investimentos previstos entre R$ 192 milhões e R$ 288 milhões.

No conjunto, as três missões representam uma proposta de investimentos em ciência, tecnologia e inovação entre R$ 786 milhões e R$ 1,161 bilhão ao longo de quatro anos, além dos recursos destinados à infraestrutura hídrica. A ACB defende ainda a integração entre diferentes setores do governo e da academia, com acompanhamento das metas ao longo da execução das políticas.

A proposta também incorpora a redução das desigualdades como eixo transversal, considerando questões de gênero, raça e etnia e as especificidades de povos indígenas e quilombolas. Entre as diretrizes estão a desagregação de dados por raça ou cor, sexo e etnia, a participação de representantes de povos tradicionais em comitês de governança e o monitoramento anual de indicadores de equidade.

Segundo a ACB, o documento foi elaborado para contribuir com o debate público e ser conhecido pelos candidatos ao Governo da Bahia na formulação de seus planos de governo. A entidade ressalta que o texto não se apresenta como programa eleitoral, mas como uma contribuição técnica e científica para a discussão de políticas de Estado no período de 2027 a 2030.

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