Financial Times compara família Bolsonaro aos Trump e aponta “estilo paranoico de política”

Financial Times compara família Bolsonaro aos Trump e aponta “estilo paranoico de política”

Redação Alô Alô Bahia

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Miguel Schincariol/AFP

Publicado em 27/09/2026 às 12:00

A revista de fim de semana do Financial Times publicou, neste sábado (26), uma extensa reportagem de capa sobre a família Bolsonaro, comparando o grupo à família Trump e analisando as disputas internas do clã, sua trajetória política e as possibilidades para a sucessão de Jair Bolsonaro. O texto também foi destaque na página principal do site do jornal britânico ao longo do dia.

Assinada pelo jornalista Michael Pooler, a reportagem recebeu o título “Scandal and succession in the House of Bolsonaro” (“Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro”, em tradução livre). O subtítulo questiona se a família, após a prisão de Jair Bolsonaro, estaria no caminho de uma volta ao poder.

“Conheça os Bolsonaro: um clã tão radical quanto disfuncional. Oscilando entre o conservadorismo e o caos, eles praticam um estilo paranoico de política. Assim como a família Trump, eles incorporam o zeitgeist político dos anos 2020: o superficial e o sinistro, a fusão entre celebridade, rede social e a busca pelo poder”, descreve a publicação.

O Brasil é apresentado como “uma peça importante na busca de Trump pela dominância do hemisfério”, razão pela qual, segundo o Financial Times, as eleições brasileiras também despertariam interesse nos Estados Unidos.

Sobre Flávio Bolsonaro, a publicação afirma que, “faltando pouco mais de uma semana para a votação, Flávio tem o vento a seu favor. Na campanha, ele visivelmente aumentou sua autoconfiança”. O jornal também traça cenários para o futuro político da família. “Se Flávio ganhar, a Casa dos Bolsonaros será consolidada como uma dinastia política em vez de uma anomalia que só ocorreu uma vez”.

A reportagem afirma ainda que, nesse cenário, Flávio “imediatamente vai pressionar o Congresso para garantir uma ampla anistia para os conspiradores do golpe e para os condenados pelo 8 de Janeiro, com o perdão presidencial como alternativa”. O texto considera a possibilidade de Jair Bolsonaro voltar à disputa presidencial em 2030, embora acrescente que “preocupações com a idade e a saúde” fariam esse prospecto parecer “cada vez menos provável”.

Em caso de derrota, o jornal aponta “o fim da Era Bolsonaro”, cenário que, segundo a publicação, “abriria as portas para uma direita mais moderada, como Tarcísio de Freitas”. O Financial Times também observa que o PT “não tem um sucessor óbvio de Lula”, o que poderia “marcar o fim de uma década de polarização política” daqui a quatro anos.

O perfil de Jair Bolsonaro ocupa parte significativa da publicação. O jornal o descreve como um “demagogo da linha-dura da direita” e líder de um movimento conservador populista com tons religiosos, cujos apoiadores acreditavam estar em uma “cruzada contra um sistema apodrecido”. O texto também menciona suas relações com Donald Trump, o aumento da destruição da floresta Amazônica durante seu governo e sua atuação durante a pandemia de Covid-19.

Ao tratar dos filhos, o jornal apresenta Flávio como “o escolhido para restaurar a sorte da dinastia política”, enquanto Carlos é descrito como “um craque das redes sociais” e Eduardo como alguém que “é o filho que mais lembra o pai em estilo”.

Flávio é apontado como o “autointitulado moderado da família”, um “Bolsonaro vacinado”, em suas próprias palavras. Segundo a reportagem, ele enfrenta o desafio de preservar o legado de Jair e, ao mesmo tempo, apresentar um novo projeto político. O jornal também cita fontes que o consideram o filho “mais normal” da família e reproduz uma avaliação do ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), segundo a qual Flávio “nunca foi de discursos agressivos”.

Carlos Bolsonaro aparece como alguém “conhecido por sua persona online combativa”, que tem “o rosto do pai tatuado no braço” e é chamado pelos familiares de “o pit bull da família”. A reportagem relembra ainda sua entrada precoce na política, aos 17 anos, quando foi lançado por Jair Bolsonaro para disputar uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Sobre Eduardo Bolsonaro, o Financial Times afirma que ele “é o filho que mais lembra o pai em estilo”, classificando-o como um “ideólogo combativo, entusiasta de armas e surfista”. A publicação também destaca suas conexões internacionais com a família Trump e outros grupos conservadores de direita. Morando no Texas desde 2025, ele é apresentado como alguém “fora da equação de sucessão”.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, é descrita como uma “cristã devota” que cuida de Jair após a prisão e cirurgias recentes. O jornal também aborda sua trajetória pessoal, lembrando que ela teve uma infância humilde no Distrito Federal e que “vendia laranjas no semáforo quando tinha 10 anos e perdeu amigos para o tráfico de drogas”.

O Financial Times também recupera episódios da trajetória política de Jair Bolsonaro, lembrando que, durante grande parte de suas três décadas como deputado federal, ele era considerado um político marginal. A publicação cita suas declarações em defesa da tortura, seu apoio à ditadura militar e falas de teor homofóbico, além do episódio envolvendo a deputada Maria do Rosário.

O jornal identifica meados da década de 2010 como o período de crescimento de Bolsonaro, quando ele passou a se apresentar como uma alternativa “anti-establishment” e conquistou apoio da chamada “coalização de boi, bala e Bíblia”, formada por representantes do agronegócio, cristãos conservadores e integrantes das forças de segurança.

A pandemia também é apontada como um divisor de águas na trajetória política do ex-presidente. “Ele descreveu a Covid-19 como uma ‘gripezinha’, promoveu tratamentos sem eficácia comprovada e foi acusado de atrasar a compra de vacinas”, afirma a publicação.

A reportagem também cita episódios envolvendo Flávio Bolsonaro durante a campanha de 2026, entre eles um caso relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”. Sem identificar nominalmente o banqueiro mencionado, o jornal afirma que Flávio “pediu dinheiro a um suspeito por fraude bancária” para “supostamente financiar um filme hagiográfico sobre seu pai”. Segundo a publicação, o projeto recebeu ao menos US$ 12,3 milhões do empresário preso citado na reportagem.

O Financial Times ainda afirma que Flávio foi chamado de “traidor da pátria” pelo governo Lula depois de publicar uma foto no Salão Oval com Donald Trump e, posteriormente, os Estados Unidos anunciarem novas tarifas sobre produtos brasileiros.

A reportagem termina com uma declaração atribuída ao ex-ministro Ernesto Araújo, de que Bolsonaro “não é apenas um homem. É uma ideia, uma visão de um Brasil que pode mudar”.

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